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Roma - Crítica

Roma

Lançamento: 14 de dezembro de 2018
Com: Yalitza Aparicio, Marina de Tavira, Diego Cortina Autrey
Gênero: Drama

Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban (2004), Filhos da Esperança (2006) e o oscarizado Gravidade (2013), eram até então os trabalhos mais conhecidos, e até mesmo notórios (o último principalmente), de Alfonso Cuarón. O cineasta mexicano, no entanto, foge do grande escopo para fazer do seu mais novo trabalho uma obra singela e singular.

Roma, lançado no dia 14 de dezembro (2018) na Netflix, traz uma visão sensível sobre a vida em sua mais pura essência. Sendo ambientada no México dos anos 1970, a história acompanha a babá e empregada doméstica Cleo (Yalitza Aparicio), assim como a família de classe média que a contrata. Durante um ano, muito acontece com a família, e também com Cleo. Suas vidas ganham novos rumos, e silenciosamente esses personagens mostram como é aprender e crescer com tais acontecimentos.

O longa, na verdade, soa como o grande trabalho autoral do cineasta. Com uma história comum, Roma se sobressai por ser mundano, o que o torna tão humano quanto o espectador que o assiste. Cuarón faz da câmera os seus olhos, e não o instrumento costumeiro de captura de imagens, tamanha é sua sensibilidade visual.


O Estranho Mundo de Jack | Crítica

The Nightmare Before Christmas

Lançamento: 24 de dezembro de 1993
Com as vozes de: Chris Sarandon; Catherine O'Hara; William Hickey; Ken Page
Gênero: Animação; Fantasia

Lembro como se fosse ontem da noite em que, passando pelos pouquíssimos canais existentes na televisão de minha avó, me deparei com uma animação totalmente diferente de tudo aquilo que minha breve existência possuía conhecimento, ou poderia vir a compreender. Aquele filme que só viria a finalizar e aprender a amar anos no futuro, com todas as suas figuras sombrias, músicas curiosas e esqueletos falantes, deixou uma marca em minha mente, abrindo as portas para um mundo onde o assombro não precisa representar sentir medo, onde figuras sombrias recebem a oportunidade de contar sua história, onde seres diferentes tornam-se queridos e o estranho pode ser adorável.

Muito provavelmente você já ouviu falar, caso não seja uma daquelas pessoas que conhecem todos os detalhes da história, de um curioso e carismático esqueleto que, após deparar-se com um mundo completamente novo repleto de magia, cores, luzes e presentes, decide abandonar as festividades do Halloween e transformar o Natal em sua marca registrada.

Talvez você conheça os eventos que sucederam o encontro entre Jack e nosso querido Papai Noel, o caos que assolou a Terra do Natal quando seu mentor desaparece repentinamente, o assombro de crianças ao descobrir que seus presentes continham nada mais nada menos do que seus maiores pesadelos, ou mesmo, aquele admirável esqueleto que, à sua própria maneira, decide realizar uma tarefa única que, com boas intenções, acaba por transformar-se na pior noite na vida de muitas crianças.

O Preço do Amanhã – Crítica

In Time

Lançamento: 4 de novembro de 2011
Com: Justin Timberlake, Amanda Seyfried, Cillian Murphy, Olivia Wilde e Vincent Kartheiser
Gênero: Ficção Científica, Ação

Faz um tempinho que queria trazer esta crítica ao blog, mas não somente por ser uma "crítica" sobre o filme, mas principalmente pela trama relativamente simples que representa. Basicamente, entre as camadas de o O Preço do Amanhã, falaremos sobre a morte, sobre quem merece morrer e porque a imortalidade é algo tão distante para nós, mesmo num realidade da ficção científica. 

O Preço do Amanhã é escrito e dirigido pelo renomado Andrew Niccol, idealizador de longas metragens originais do gênero de ficção científica como Gattaca (1997) e S1mOne (2002). O neozelandês também escreveu o filme de sucesso O Show de Truman e dirigiu O Terminal e O Senhor das Armas.

Na trama estrelada por Justin Timberlake (A Rede Social) e Amanda Seyfried (Mamma Mia!), todos deixam de envelhecer aos 25 anos. Passada essa idade, ficam com a mesma aparência. Definido em um futuro distante no qual os cenários e figurinos são relativamente contemporâneos, o filme se passa em uma cidade fictícia que se assemelha a Los Angeles (local onde foi filmado).

O eixo do roteiro do filme é arquitetado de maneira que o tempo é a moeda universal e substitui o dinheiro tradicional. A partir disso, toda trama se desenvolve e várias questões sociais e até mesmo filosóficas são apresentadas no enredo. Quando os 25 anos são completados, um relógio digital — presente no antebraço de todos os cidadãos — começa a correr e isso torna o futuro de cada pessoa dependente de sua determinada classe social: os mais ricos vivem quase eternamente o os mais humildes precisam batalhar para prolongarem seus respectivos futuros.

Homem-Formiga e a Vespa | Crítica

Ant-Man and the Wasp

Lançamento: 5 de julho de 2018
Com: Paul Rudd; Evangeline Lilly; Michael Peña; Hannah John-Kamen; Michelle Pfeiffer; Michael Douglas
Gênero: Ação; Aventura; Ficção científica

No ano de 2015, quando o filme solo do Homem-Formiga foi lançado pela Marvel Studios, percebi, não sem apresentar um pouco de receio ao afirmar estes pensamentos para qualquer pessoa que pedisse minha opinião, que o herói interpretado por Paul Rudd se destacava como uma aposta para arrebatar um público um pouco mais jovem que, por meio de aventuras adoráveis e desafios controlados, se deixaria encantar por um filme feito sob medida, que possibilitaria sua inserção em meio a este fantástico universo de super-heróis. 

Com o lançamento de Homem-Formiga e a Vespa, todos os pensamentos e conclusões que tirei do primeiro filme voltaram à tona e me vejo mais segura ao afirmar que, embora espectadores mais maduros possam aproveitar esse filme gracioso da mesma maneira, o pequeno grande herói da Marvel possuí em suas mãos a chance de direcionar novos e pequenos espectadores para o mundo dos superpoderes.

Neste filme iremos encontrar um Scott Lang limitado pelas regras da prisão domiciliar. Ao mesmo tempo em que oferece o seu melhor para manter a bela relação que possui com a filha, também direciona esforços para a construção de uma empresa de segurança e, para a infelicidade dos fãs, demonstra-se completamente distante do traje de Homem-Formiga. Enquanto Scott enfrenta as consequências de seus atos, Hope Van Dyne e Hank Pym encontram-se cada vez mais próximos da concretização de seus objetivos ao negociar os últimos elementos para a construção de um túnel quântico.

Deadpool 2 - Crítica

Deadpool 2

Lançamento: 17 de maio de 2018
Com: Ryan Reynolds, Josh Brolin, Morena Baccarin, Zazie Beetz
Gênero: Ação, Comédia, Aventura

Segundo o próprio Deadpool, este é um filme de família, mesmo classificado para maiores de 18 anos. O filme chega hoje nos cinemas (17/05) de todos o Brasil. A cota de ironia, referências a cultura pop, piadas e a querida quebra da quarta parede permanecem e expandem a fórmula inigualável de Deadpool, algo que, provavelmente, só funcionará, tão bem com este personagem e com Ryan Reynolds como interprete.

O filme inicia com muita ação, deboche e, claro, violência. Mesmo assim, há espaço para facetas mais sensíveis do personagem equilibrado por seu tom cômico constante. Wade Wilson agora lida melhor com sua nova aparência e começa a pensar em construir uma família com Vanessa (a brasileira, Morena Baccarin) porém, seus planos mudam drasticamente quando Cable (Josh Brolin), um super soldado, volta do futuro para dar fim a uma grande ameaça, o garoto mutante Russel (Julian Dennison), que tem um poder destruidor e quase incontrolável. Juntos, Cable e Russel entram na vida de Deadpool, que pela primeira vez, irá enfrentar dilemas que o colocarão a prova, mas sem nunca perder a personalidade do personagem.

Este é um filme debochado, onde ninguém sai ileso, nem mesmo o universo X-Men, do qual Deadpool faz parte, nem mesmo os outros filmes da Marvel, da Fox - tem melhor frase para definir seu estúdio do que a "do mesmo estúdio que matou o Wolverine"? - ou até da sombria DC. Nada sai ileso pela boca do personagem, nem mesmo as interpretações do próprio ator.


Vingadores: Guerra Infinita | Crítica

Avengers: Infinity War

Lançamento: 26 de abril de 2018
Com: Robert Downey Jr; Chris Hemsworth; Mark Ruffalo; Chris Evans; Scarlett Johansson
Gênero: Ação; Aventura; Fantasia

Há dez anos acompanhamos os desafios, dores, conquistas, aventuras e amadurecimento de heróis cujos poderes são tão únicos e peculiares quanto o próprio universo. Ao longo de uma década a Marvel Studios surpreendeu e conquistou uma legião de fãs que, em sua diversidade, ressalta o poder de uma história de super-herói. Após compreendermos as características e personalidades de cada personagem, conectarmos suas histórias, permitindo a interação e interferência no destino um do outro, finalmente atingimos o clímax, o momento em que Thanos, talvez o maior vilão do universo Marvel, finaliza sua busca pelas gemas do infinito.

Embora interligue de maneira flexível e habilidosa a trajetória de uma quantidade considerável de personagens, a maior constante, o ponto central de Vingadores: Guerra Infinita encontra-se na figura de Thanos, o grande titã. O passado do vilão vem à tona em diversos momentos do longa, sua relação conflituosa com a filha Gamora é explorada de forma tocante, as escolhas e motivações do personagem destacam a inegável dualidade, ou talvez irracionalidade racional, de suas ações, tencionando a justificar sua busca e desejo pela reunião e posse de todas as gemas do infinito.

Thanos, e aqui me aproprio e amplio as palavras da criadora do Estante Diagonal, não se trata de outro vilão, de um desafio a ser enfrentado pelos heróis que salvam o dia, mas é, definitivamente, um personagem cuja profundidade e características o transformam em figura de destaque para todos os eventos que irão se desenrolar a partir deste filme. Este filme é dele e sobre ele.


Aniquilação - Crítica

Annihilation

Lançamento: 12 de março de 2018
Com: Natalie Portman; Oscar Isaac; Jennifer Jason Leigh; Gina Rodriguez; Tessa Thompson
Gênero: Ficção Científica, Drama

Por conta de divergências internas, além de um período difícil para filmes “cult”, de “difícil” compreensão cuja característica principal baseia-se em se tratarem de obras fortemente interpretativas, produzidos pela Paramount ao longo de 2017 – dentre eles podemos citar o maravilhoso Mother – Aniquilação somente estreia nas salas de cinema dos Estados Unidos, Canadá e China, sendo distribuído para o resto do mundo através de nossa querida Netflix. Mas, antes de seguir para os comentários dessa crítica, gostaria de ressaltar que, embora vendido para o serviço de streaming, este não é mais um filme "original" Netflix.

A adaptação do primeiro livro pertencente a trilogia Comando Sul, criada por Jeff VanderMeer, trata-se de uma ficção científica intrincada, cuja narrativa transporta o espectador por meio de dúvidas, incertezas e a necessidade constante de interpretação das imagens, discursos e símbolos que lhe são apresentados.

Sendo exatamente este tipo de filme, não é de surpreender que tenha me chamado a atenção e, embora ainda não tenha efetivado a leitura de cada um dos livros, confesso que toda a experiência com a adaptação serviu como incentivo para conhecer todo o universo criado por VanderMeer em sua famosa trilogia.


Com Amor, Simon - Crítica

Love, simon

Lançamento: 05 de abril de 2017
Com: Nick Robinson, Katherine Langford, Alexandra Shipp, Jorg Lendeborg Jr.
Gênero: Drama, Comédia, Romance Adolescente

Com Amor, Simon é a adaptação da obra Simon Vs. A Agenda Homo Sapiens, escrita pela autora Beck Albertalli e lançada pela Intrínseca em 2016 aqui no Brasil.

Simon Spier (Nick Robinson) tem uma vida normal, uma família amorosa, um grupo de amigos queridos e a sua história se passa em uma típica escola de ensino médio. Sua vida é ótima, mas ele guarda um grande segredo. Ele é gay. Uma postagem assinada por alguém chamado Blue, muda toda a perspectiva de Simon em relação a sua vida e ambos começam a trocar mensagens sobre as dificuldades que precisam enfrentar para se assumirem. Esta troca de mensagens acaba caindo nas mãos de um chantagista que ameaça revelar seu grande segredo para todos e Simon não está nem um pouco preparado para isso.

O roteiro é assinado por Elizabeth Berger e Isaac Aptaker, discorre a partir das duas maiores questões que soldam Simon, revelar a sua família e amigos que é gay e descobrir, finalmente, quem é Blue, com quem ele compartilha este segredo. Esta é uma aventura divertida e completamente aterrorizante para um adolescente de dezessete anos, uma mudança definitiva e sem volta, mas que proporcionara diversos tipos de ensinamentos. 

O ponto alto do longa é que tudo é tratado com muita naturalidade, até proporcionando diversão a uma questão bastante interessante no filme. O porquê de os gays precisarem realmente se assumirem, quando eles simplesmente são? A cena em questão rende um dos momentos mais hilários e sem dúvidas deve proporcionar muitas risadas. Com esta sutileza e com este bom humor, questões que sabemos ser mais delicadas em nossa sociedade, muito assombrada - ainda - pelos ensinamentos conservadores, são exploradas, revelando a jornada do personagem para suas descobertas e mudanças, estas que todos nós precisamos enfrentar para o amadurecimento.


Jogador Nº1 - Crítica

Ready Player One

Lançamento: 29 de março de 2017
Com:  Tye Sheridan, Olivia Cooke, Ben Mendelsohn, Lena Waithe 
Gênero: Ação, Ficção Científica

Jogador Nº1 é a adaptação do livro homônimo do autor Ernest Cline, dirigido por Steven Spielberg. Comprados os direitos antes mesmo do lançamento do livro nos Estados Unidos, o longa chega aos cinemas neste ano, com o roteiro de Zak Penn e do próprio Cline. 

O ano é 2045 e a realidade que conhecemos hoje já não é mais a mesma. A destruição e a pobreza modificaram a humanidade e agora todos preferem viver numa realidade virtual chamada OASIS. Um jogo onde a fonte de conhecimento é ilimitada, é possível trabalhar, interagir, estudar e até mesmo se divertir sem precisar sair de casa. Após a morte do criador James Halliday (Mark Rylance), que deixou para trás vários easter-eggs, chaves de um grande quebra-cabeças para quem puder herdar sua herança e consequentemente toda a OASIS, Wade Watts (Tye Sheridan) passou a dedicar seu tempo em busca de pistas, a chance que precisa para mudar de vida, encarar a realidade e também encontrar o amor. 

Todas as pistas deixadas por Halliday são baseadas na cultura popular dos anos 80. Sendo assim, Jogador Nº1 é um conjunto de referências nostálgicas de diversos clássicos da época. No universo da Oasis tudo é possível, cada um pode ser quem quiser e como quiser, é um MMORPG capaz de conectar tudo a todos. Ao longo do filme, foram incontáveis as vezes que me vi surpresa por cada personagem, detalhe, nota sonora ou até mesmo pedaços de elementos já tão bem conhecidos que consegui visualizar ao longo das cenas. Steven Spielberg também não deixou de incluir elementos atuais, adequando o roteiro para a identificação dos jovens de hoje. Um destes novos elementos que mais me chamou a atenção na tela, foi a aparição de Tracer, personagem do jogo Overwatch da Blizzard.


Me Chame Pelo Seu Nome - Crítica

Call Me By Your Name

Lançamento: 18 de janeiro de 2018
Com: Armie Hammer, Timothée Chalamet, Michael Stuhlbarg
Gênero: Romance; Drama

Me Chame Pelo Seu Nome é a adaptação do livro homônimo escrito pelo autor André Aciman, lançado no Brasil pela Intrínseca.

Elio (Timothée Chalamet) está passando as férias na casa de veraneio da família, no interior da Itália. A tranquilidade rotineira logo muda quando seu pai, interpretado por Michael Stuhlbarg, um especialista na cultura greco-romana, recebe a visita do acadêmico Oliver (Armie Hammer) e não demora muito para que ele e Elio acabem se aproximando.

Essencialmente, o enredo falará sobre o amadurecimento. Elio está descobrindo e explorando novas experiências. Também trata da relação entre os dois personagens e a intimidade criada por ambos. Aqui temos um romance que mescla momento de descobrimento, sensíveis, complicados e extremamente devastadores também. É uma trama muito intensa, que percorre extremos, mas que seduz o público disposto a acompanhar esta história.

O Destino de Uma Nação - Crítica

Darkest Hour

Lançamento: 11 de janeiro de 2018
Com: Gary Oldman, Lily James, Kristin Scott Thomas, Ben Mendelshon.
Gênero: Histórico, Drama

Quem já leu algumas resenhas minhas aqui no ED, sabem que eu tenho dois grandes amores: Stephen King e filmes e livros que se passam dentro da Segunda Guerra Mundial. Quando estávamos dividindo os filmes para a semana do Oscar, logo pedi para fazer a crítica de O Destino de Uma Nação por ser deste assunto que tanto me fascina, mas também, pelo ator principal ser ninguém menos que Gary Oldman, um ator extremamente talentoso e versátil, além de ser um dos meus favoritos.

A trama de O Destino de Uma Nação gira em torno do Reino Unido em meados de maio de 1940. Situado exatamente na metade da II Guerra, foi um período extremamente difícil, em que a Alemanha de Hitler e a Itália de Mussolini quase venceram a guerra. Enquanto os nazis aumentavam cada vez mais o seu território – derrotaram a Bélgica, Holanda e com a França prestes a se render – o Reino Unido atravessa uma crise política. O atual Primeiro Ministro, Neville Chamberlain (Ronald Pickup) foi pressionado a renunciar e ele e o Rei George IV (Ben Mendelsohn) chegam a conclusão que apenas um político pode assumir o cargo, uma vez que é o único que tem o mínimo de aprovação da oposição: Winston Churchill (Gary Oldman). E são justamente nesses dias iniciais de Churchill no cargo de Primeiro Ministro que se passam o filme.

Antes de assumir o cargo, já temos um vislumbre do que é a personalidade de Churchill, viciado em excessos, cigarros e bebidas, mostra-se antipático e impaciente – fato que comprova-se pela maneira como trata a sua mais nova datilógrafa Elizabeth Layton (Lily James). A moça chega a pensar em desistir do cargo, mas retorna, e acaba tornando-se bastante próxima do primeiro ministro.

Trama Fantasma - Crítica

Phantom Thread

Lançamento: 22 de fevereiro de 2018
Com: Vicky Krieps; Daniel Day-Lewis; Lesley Manville
Gênero: Romance; Drama

Reynolds Woodcock (Daniel Day-Lewis) é um renomado estilista da encantadora Londres dos anos 50. Suas clientes pertencem a famílias abastadas; suas criações transmitem beleza, segurança e luxo para as mulheres poderosas ou inseguras que as usam; sua residência é espaçosa e requintada; suas costureiras são fiéis e, essa personalidade fictícia conta ainda com a presença da irmã Cyril (Lesley Manville), a mente aguçada por trás de toda a organização, manejo, contatos e sucesso do irmão.

O gênio criativo do estilista é inegável, suas criações conquistam o imaginário das mulheres, porém, sua solteirice incurável e relações conturbadas estão em constante atrito com seu processo criativo. Após descartar – pelos mesmos motivos mesquinhos e ordinários de sempre – a mais recente amante, Woodcock retira-se para os domínios de sua casa de campo, os ares calmos e puros do interior da Inglaterra, a paisagem natural capaz de acalmar sua mente. 

Uma vez presente nos domínios do campo, o estilista de meia idade encontra na garçonete Alma (Vicky Krieps), sua nova musa, inspiração, modelo ideal e amante, dando início a uma relação entre uma jovem moça e um estilista de personalidade peculiar. Partindo deste contexto, a princípio simples, inicia-se a trama mais adorável, repleta de caos e atrito, que poderíamos receber em uma narrativa do gênero.

Lady Bird: A Hora de Voar - Crítica

Lady Bird

Lançamento: 15 de fevereiro de 2018
Com: Saoirse Ronan, Laurie Metcalf, Tracy Letts
Gênero: Drama, Comédia

Um dos filmes mais comentados dos últimos dias é Lady Bird, escrito e dirigido por Greta Gerwig. Antes de assistir eu já tinha lido algumas críticas e também assistido ao trailer e, sinceramente não achei que o hype se justificava. Mesmo assim eu sabia que não poderia formular uma opinião sem de fato ter assistido ao filme, por isso fui atrás de ver. 

Lady Bird conta a história de Christine McPherson (Saoirse Ronan), uma adolescente prestes a se formar no ensino médio, cujo sonho é estudar em Nova York e se envolver com culturas diferentes de sua cidade natal, Sacramento. Ela se sente presa na rotina da cidade pequena, onde todo mundo conhece todo mundo e as histórias se repetem. Para conseguir realizar esse sonho ela se candidata a várias universidades esperando que alguma delas a aceite com uma bolsa, já que seus pais não poderiam pagar uma mensalidade tão cara. Além disso, Lady Bird também tem que lidar com o primeiro amor, desilusões, amizade e a virgindade.

O filme trata de assuntos bem reais, coisas pelas quais todo mundo passa na vida, principalmente na adolescência. É o momento em que estamos começando a desenvolver um pensamento mais individual sobre a vida e sobre nossas escolhas. E essa fase é muito difícil para nossos pais, que também precisam se adaptar a mudança. A de que os filhos, começam a tomar suas próprias decisões e conviver com as consequências delas. 

Dunkirk - Crítica

Dunkirk

Lançamento: 27 de julho de 2017
Com: Fionn Whitehead, Tom Hardy, Mark Rylane, Harry Styles
Gênero: Guerra, Histórico, Drama

Dirigido por Christopher Nolan, diretor muito conhecido por Batman Begins, Dunkirk é um filme que divide opiniões. Eu particularmente gosto de filmes com temática da Segunda Guerra Mundial e achei incrível o resultado.

Em Dunkirk conheceremos a operação Dínamo, mais conhecida como a Evacuação de Dunquerque, onde soldados aliados, durante o início da Segunda Guerra, são sitiados pelo exército alemão. A tarefa é resgatar estes soldados ao longo de uma violenta batalha. A partir daí temos três perspectivas diferentes para acompanhar - um roteiro tríptico.

No litoral de Dunkirk - Dunquerque em português -, na França, acompanhamos o soldado britânico Tommy (Fionn Whitehead) tentando embarcar de volta para casa entre 400 mil soldados que tinham a esperança de fugir vivos dos ataques dos alemães. Pelo "ar", os pilotos, entre eles Farrier (Tom Hardy) dão apoio aéreo aos soldados que estão na praia e eles precisam lidar tanto com os ataques do inimigo, tanto com a quantidade de combustível. A terceira perspectiva se dá através do mar, único modo de evacuar todos esses soldados, de onde vinham barcos particulares requisitados pela Marinha Real para ajudar na evacuação. Nisso acompanhamos Sr. Dawson (Mark Rylane), seu filho mais novo e o amigo do menino, que utiliza do seu pequeno barco de passeio para ir ajudar no resgate dos soldados.

Operação Red Sparrow - Crítica

Red Sparrow

Lançamento: 1 de março de 2018
Com: Jennifer Lawrence, Joel Edgerton, Matthias Schoenaerts, Charlotte Rampling, Jeremy Irons
Gênero: Suspense, Espionagem

Depois de ter sua carreira como bailarina destruída e sem renda para os cuidados especiais da mãe, Dominika Egorova (Jennifer Lawrence acaba cedendo à pressão do tio, vice-diretor do serviço secreto russo, para virar uma Sparrow. Uma agente treinada para usar a sedução na espionagem e seu corpo como uma arma.

A partir daí iremos acompanhar o treinamento de Dominika até sua primeira e derradeira missão, e, não há fração para falhar neste caso. Dominika precisa de aproximar de Nathaniel Nash (Joel Edgerton), o único agente da CIA que possui o nome de um dos maiores agentes duplos infiltrado na SVR.  Porém, o casal  pode estar se envolvendo afetivamente, o que pode colocar a vida de ambos em risco.

Novamente ao lado de Jennifer Lawrence, o diretor Francis Lawrence dá vida a adaptação do livro, Roleta Russa de Jason Matthews, originalmente lançado em 2014 pela editora Arqueiro. Ele imprime sua marca em diversas cenas durante o longa, muitas de forma semelhante ao que vi na série The Hungers Games. O porém é que o tom de Operação Red Sparrow é outro, regado de violência e ação do segundo ato para o fim, o filme conseguiu me fisgar desde o princípio, mesmo quando apresentou certas falhas.

Corra! - Crítica

GET OUT

Lançamento: 18 de maio de 2017
Com: Daniel Kaluuya, Allison Williams, Catherine Keener, Bradley Whitford.
Gênero: Suspense, Thriller

Primeiramente, peço desculpas pelos meses de ausência, mas, às vezes, precisamos de um período para nos adaptar as mudanças que a vida nos traz, e esse foi um desses momentos para mim. Voltei às resenhas em grande estilo, para o Especial Oscar que fazemos todos os anos e retornei para falar deste gênero que eu amo, tanto para filme, livro ou série, que é o suspense.

Confesso que fiquei um pouco surpresa quando vi que Corra!,  lançado no primeiro semestre de 2017, estava concorrendo ao Oscar. Não me entendam errado, é um filme maravilhoso, mas não é o tipo de filme que costuma concorrer, e mais ainda – ganhar – um Oscar.

Chris Washington (Daniel Kaluuya) é um rapaz negro que inicia um relacionamento com uma moça caucasiana de olhos verdes, Rose Armitage (Allison Williams). Há pouco mais de quatro meses de relacionamento, a jovem convida Chris para conhecer seus pais, que moram no interior. Chris, acostumado com o estranhamento que gera por namorar uma jovem branca, pergunta a Rose, se ela avisou a sua família que ele é negro, que logo mostra-se incomodada por Chris pensar isto da família dela e diz que todos na sua família "votariam no Obama novamente se fosse possível." 

Três Anúncios Para Um Crime - Crítica

Three Billboards Outside Ebbing Missouri

Lançamento: 15 de fevereiro de 2018
Com:  Frances McDormand, Woody Harrelson, Sam Rockwell, John Hawkes
Gênero: Drama

Quando Três Anúncios Para Um Crime garantiu quatro prêmios das principais categorias no Globo de Ouro percebi que precisava prestar atenção neste filme e não me enganei. Por mais que os outros indicados a Melhor Filme deste ano sejam extremamente ótimos, muito dificilmente irão tirar a estatueta das mãos deste aqui

Todos os dias, Mildred Hayes (Frances McDormand) passa pelo local onde sua filha acabou morta e estuprada. Sem suspeitos ou pistas e há meses sem receber satisfações da polícia sobre a investigação, Mildred resolve alugar três outdoors para reavivar o caso, pressionando assim a polícia de Ebbin e chamando também a atenção da mídia. Seu ato acaba afetando a vida de várias pessoas da cidade, principalmente a do Delegado Willoughby (Woody Harrelson), responsável pela investigação, e a dela mesma.

Três Anúncios Para Um Crime é um filme de uma mãe em busca de justiça. Com um roteiro a princípio simples, assinado pelo também diretor Martin McDonagh, o longa recebeu sete indicações ao Oscar e é preferido para Melhor Filme. A trama se desenrola a partir dos anúncios de Mildred, sua luta em mantê-los por mais um mês e as consequências disso para quem lhe apoia e para quem não está nem um pouco satisfeito com sua atitude.


Mudbound - Lágrimas Sobre o Mississipi - Crítica

MUDBOUND

Lançamento: 15 de fevereiro de 2018
Com: Carey Mulligan, Garrett Hedlund, Jason Clarke, Jason Mitchell e Mary J. Blige
Gênero: Drama

Através de um convite feito pela Editora Arqueiro, o Estante Diagonal teve oportunidade de conferir a cabine de imprensa do filme Mudbound - Lágrimas sobre o Mississipi. Ele está indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Atriz Coadjuvante e Melhor Canção Original com previsão de estreia nos cinemas brasileiros no dia 15 de fevereiro.

O principal tema abordado em Mudbound é a segregação racial no Mississipi na década de 1940 através das relações familiares de uma família branca (McAllan) e uma família negra (Jackson). O filme começa com os irmãos McAllan enterrando o pai em um dia chuvoso. Naquele momento, os Jackson estão de saída da fazenda e recebem o pedido de Henry McAllan (Jason Clarke) para ajudar enterrar o Pappy (Jonathan Banks). Fica evidente que existe um clima de tensão entre os personagens, que nós só vamos entender voltando um pouco na história. 

Após a morte de sua mãe, Henry McAllan decidiu mudar com sua família, esposa e duas filhas, para uma fazenda no Mississipi, já que agora ele se sentia responsável por cuidar do seu pai. Enquanto isso, o seu irmão mais novo, Jamie (Garrett Hedlund), foi convocado para servir na Segunda Guerra Mundial. No outro lado da história, Hap Jackson (Rob Morgan) planeja comprar a sua própria terra e tirar sua família da situação de submissão em que vivem em uma cidade com uma cultura racista forte. Na mesma época, o filho mais velho, Ronsel (Jason Mitchell), também foi convocado para a guerra. A história segue através do ponto de vista de cada um dos personagens apresentando as relações e situações que levaram até o ponto no começo do filme.


A Forma da Água - Crítica

The Shape of Water

Lançamento: 1 de fevereiro de 2018
Com: Sally Hawkins, Michael Shannon, Richard Jenkins, Octavia Spencer, Michael Stuhlbarg
Gênero: Drama, Romance, Fantasia

Tudo começou com a história de uma pequena princesa perdida no mundo real, uma história capaz de demonstrar um mundo sombrio em que soldados marcham para guerras sanguinárias, mães se casam com homens perversos, seres bizarros existem em nossas mentes e em nossos mundos e, em meio ao caos, um adorável Fauno pretende auxiliar a pequena princesa em sua jornada de volta para casa. 

O Labirinto do Fauno, muito mais do que um grande amor, trata-se do filme responsável pela admiração que tenho para com a mente criativa de Guillermo del Toro. Como muitos antes de mim, encontrei nas criações de Guillermo del Toro toda a fantasia, obscuridade, amor e tristeza que meu coração deseja quando busca uma narrativa única, aquele tipo de história capaz de tocar a alma com suas mensagens e reflexões imersas em todo o encantamento que poucas mentes são capazes de criar. 

Eu tive a oportunidade de observar os acertos desse querido diretor e criador de histórias, vi quando se arriscou nos mais diversos projetos, quando perdeu a mão e os detalhes característicos que tanto amo em projetos que talvez não fossem a melhor opção para seu olhar aguçado, mas em A Forma da Água, percebi que aquela alma e mente criativa ainda existem e são capazes de criar a mais bela história sobre o amor e o ser humano, com o típico toque sombrio e fantástico que tanto adoro nos trabalhos do diretor.

The Post: A Guerra Secreta - Crítica

The Post

Lançamento: 25 de janeiro de 2018
Com: Meryl Streep, Tom Hanks, Sarah Paulson, Bob Odenkirk
Gênero: Drama, Suspense

O que esperar por um filme protagonizado por Meryl Streep e Tom Hanks? O que esperar quando este mesmo filme é dirigido por Steven Spielberg?

É começo dos anos 70 e após a morte do marido, Kat Graham (Meryl Streep) acabou herdando o jornal The Washington Post. Iniciamos o filme com a tentativa de Kat em ganhar algum fôlego financeiro em sua empresa, lançando suas ações na Bolsa de Valores, a chance ideal para capitalizar a empresa, até então, privada. Ben Bradlee (Tom Hanks) é seu editor-chefe, que não mede esforços para conseguir uma boa manchete. Vale tudo no mercado jornalístico, ainda mais quando se tem como concorrente o New York Times. 

O cenário do jornal, e da vida de Kat, começa a mudar quando a New York Times publica uma série de denúncias contra governantes norte-americanos, relatando a verdade por trás da atuação do Estados Unidos da Guerra do Vietnã. Richard Nixon, atual presidente, decide processar o jornal, alegando que as denúncias têm como base documentos sigilosos e que conforme a Lei de Espionagem, não podem ser divulgadas. Logo a apelação é concedida pela justiça, mas de alguma forma, estes documentos acabam caindo nas mãos de Ben e sua equipe, que trava uma briga interna com Kat e seus assessores para também publicarem as denúncias e assim, manterem viva a liberdade de publicação da imprensa e o direito da população de saber a verdade.