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Espere Agora pelo Ano Passado | Philip K. Dick

Título Original: Now Wait for Last Year
Autor: Philip K. Dick
Tradução: Braulio Tavares
Ano: 2018
Editora: Suma
Páginas: 293
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No contexto fictício de um futuro distante a humanidade descobriu-se descendente de uma raça alienígena que muitos anos no passado precisou pousar e, devido à imprevistos e possíveis falhas mecânicas, deixar para trás algumas de suas naves neste fabuloso e constantemente ignorado planeta. 

Os espécimes abandonados pouco a pouco se modificaram, transformando-se neste animal bípede, razoavelmente racional e nem sempre fofinho conhecido por ser humano. Nossos problemas – que já não eram poucos – elevam seu nível de grandeza quando, ao estabelecer contato com uma quantidade considerável de raças alienígenas, a humanidade alia-se ao lado errado em uma guerra que só lhe causa dores de cabeça e prejuízos.

É neste contexto que encontramos Eric Sweetscent, um médico capaz de retirar, em questão de minutos, órgãos humanos que não funcionam mais e em seu lugar implantar órgãos artificiais capazes de ampliar drasticamente a expectativa de vida de seus pacientes. Eric trabalha como médico particular de um dos mais importantes nomes da indústria terráquea, contudo, ele frequentemente se questiona se seu planeta escolheu o lado correto na guerra intergaláctica que enfrentam desde que sua aliança foi firmada; encontra-se em um casamento conturbado em que a bela esposa também se classifica como inegável viciada em drogas e, quando sua vida parecia não esconder nada mais de novo sob o sol, lhe será oferecida uma proposta irrecusável.

“Os seres humanos sempre se esforçaram para reter o passado, para conservá-lo de forma convincente; não há nada de errado nisso. Sem isso, não temos nenhum senso de continuidade, temos apenas o momento”

O Tempo Desconjuntado | Philip K. Dick

Título Original: Time Out of Joint
Autor: Philip K. Dick
Tradução: Braulio Tavares
Ano: 2018
Editora: Suma
Páginas: 267

Ragle Gumm levanta da cama todos os dias, desce os degraus da escada e direciona-se para a cozinha com o intuito de fazer um forte café preto. Em seguida, volta-se para a entrada da adorável residência que divide com a irmã, o cunhado e o filho do casal, localizada no subúrbio de uma pacata cidadezinha de um Estados Unidos de 1959. Após respirar o ar fresco da manhã ele pega o jornal do dia em suas mãos e volta para dentro, iniciando assim mais um dia de reflexões, análise de padrões, recolhimento de dados e preenchimento dos formulários correspondentes às respostas para o concurso do jornal, o qual é vencedor consecutivo desde que consegue se lembrar.

A rotina diária de Ragle Gumm poderia manter-se para sempre livre de grandes oscilações ou alterações, não fosse por uma sensação incômoda de que algo está acontecendo diante de seus olhos, porém, estes permanecem obscurecidos por uma fina camada de desconhecimento. Quando objetos reais insistem em desmaterializar-se, deixando para trás pequenos pedaços de papel com nada além de seu nome; no momento em que a opressão causada pelo sentimento de que, caso deixe de responder ao concurso do jornal, algo terrível irá acontecer; quando revistas são encontradas e ninguém parece conhecer os nomes dos filmes e atores famosos, este curioso personagem iniciará um processo sem volta de questionamento da própria realidade.

“As pistas que estamos obtendo não nos dão uma solução, mas nos mostram o alcance dessa impressão de coisa errada”

Uma vez que a pacata cidade demonstra não possuir qualquer resposta para a infinidade de perguntas que se formam em sua mente, configurando-se em nada mais do que um beco sem saída, um caminho circular que o leva sempre para o mesmo lugar, Ragle une-se ao cunhado em uma aventura para além dos limites da cidade. Juntos, dirigindo pelas imensas e sempre retas rodovias em um caminhão roubado, os dois irão descobrir uma realidade muito mais sombria, confusa e complexa do que suas mentes alienadas jamais poderiam imaginar.

Blade Runner 2049 | Crítica

Blade Runner 2049

Lançamento: 05 de outubro de 2017
Com: Ryan Gosling, Harrison Ford, Jared Leto, Ana de Armas, Sylvia Hoeks
Gênero: Ficção Científica, Suspense, Ação

Trinta anos após os acontecimentos de O Caçador de Androides, encontramos uma Califórnia mais desenvolvida tecnologicamente, mas com a mesma atmosfera sombria e decadente. Após a Corporação Tyrell falir, resíduos do seu proposito foram resgatados pela empresa de Wallace (Jared Leto), criador de uma nova geração de replicantes, mais desenvolvidos e aparentemente mais leais aos humanos.

Os modelos foragidos que se revoltaram anos atrás, ainda são vistos como uma ameaça e precisam ser "aposentados" pela polícia de Los Angeles. K (Ryan Gosling) é um replicante desta nova geração e também um Blade Runner, um caçador. Enquanto cumpre seu dever, K se vê diante de um mistério que pode colocar em cheque sua dedicação com aos humanos. A segurança desse novo sistema pode ser abalada e quem sabe, também servir como fagulha para reavivar o fogo de uma nova revolução.

Blade Runner, o Caçador de Androides é uma adaptação de Androides Sonham com Ovelhas Elétricas, livro lançado em 1966 pelo autor e gênio, Philip K. Dick. Blade Runner 2049 é mais que um reboot, é uma sequência que recebe uma moldagem digna de ser revisitada. Por muitas vezes vimos, e ainda veremos, diretores e produtores falharem neste quesito por visarem apenas o lucro e a oportunidade, mas aqui, isso definitivamente não acontece e os fãs podem agradecerem por estarem diante de um clássico que recebeu tanto respeito ao ser reavivado.