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O Tempo Desconjuntado | Philip K. Dick

Título Original: Time Out of Joint
Autor: Philip K. Dick
Tradução: Braulio Tavares
Ano: 2018
Editora: Suma
Páginas: 267

Ragle Gumm levanta da cama todos os dias, desce os degraus da escada e direciona-se para a cozinha com o intuito de fazer um forte café preto. Em seguida, volta-se para a entrada da adorável residência que divide com a irmã, o cunhado e o filho do casal, localizada no subúrbio de uma pacata cidadezinha de um Estados Unidos de 1959. Após respirar o ar fresco da manhã ele pega o jornal do dia em suas mãos e volta para dentro, iniciando assim mais um dia de reflexões, análise de padrões, recolhimento de dados e preenchimento dos formulários correspondentes às respostas para o concurso do jornal, o qual é vencedor consecutivo desde que consegue se lembrar.

A rotina diária de Ragle Gumm poderia manter-se para sempre livre de grandes oscilações ou alterações, não fosse por uma sensação incômoda de que algo está acontecendo diante de seus olhos, porém, estes permanecem obscurecidos por uma fina camada de desconhecimento. Quando objetos reais insistem em desmaterializar-se, deixando para trás pequenos pedaços de papel com nada além de seu nome; no momento em que a opressão causada pelo sentimento de que, caso deixe de responder ao concurso do jornal, algo terrível irá acontecer; quando revistas são encontradas e ninguém parece conhecer os nomes dos filmes e atores famosos, este curioso personagem iniciará um processo sem volta de questionamento da própria realidade.

“As pistas que estamos obtendo não nos dão uma solução, mas nos mostram o alcance dessa impressão de coisa errada”

Uma vez que a pacata cidade demonstra não possuir qualquer resposta para a infinidade de perguntas que se formam em sua mente, configurando-se em nada mais do que um beco sem saída, um caminho circular que o leva sempre para o mesmo lugar, Ragle une-se ao cunhado em uma aventura para além dos limites da cidade. Juntos, dirigindo pelas imensas e sempre retas rodovias em um caminhão roubado, os dois irão descobrir uma realidade muito mais sombria, confusa e complexa do que suas mentes alienadas jamais poderiam imaginar.

Bem-vindo à Casa dos Espíritos | Christopher Buehlman

Título Original: The Necromancer’s House
Autor: Christopher Buehlman
Tradução: Carolina Caires Coelho
Ano: 2018
Editora: Darkside Books
Páginas: 384
Amazon

A Casa do Necromante, título original do livro Bem-vindo à Casa dos Espíritos publicado pela Darkside Books, inicia sua narrativa de maneira que explorem-se elementos dispostos dentro de um evento que poderia muito bem tratar-se de mera eventualidade. Contudo, assim como diversos exemplos de obras inspiradas em mistérios a serem resolvidos e conexões a serem estabelecidas, o primeiro capítulo deste livro, a porta que leva o leitor para acontecimentos sombrios, confusos e por vezes bizarros, baseia-se na tentativa de instigar uma leitura que pode vir a tornar-se especial, ou consolidar-se em grande fracasso.

Uma rusalka, nome atribuído às ninfas da água, ou sereias pertencentes a mitologia eslava, transformou em lar um grande lago localizado no estado de Nova Iorque. Ao longo de uma noite qualquer, como transcorreu-se muitas noites antes desta, a sombria sereia escolhe por vítima um velho solitário que vivia próximo às margens daquele território que ela ousa chamar de lar. O velho morre e logo somos direcionados a figura de Andrew, uma espécie de mago, bruxo ou feiticeiro – ele prefere ser chamado de mago, mas as outras palavras também são ótimas para denomina-lo – cujas habilidades possibilitam a interação e manipulação dos mortos, além do pleno controle de metais e elementos mecânicos.

Falho como qualquer ser humano, Andrew foi responsável por uma quantidade considerável de escolhas erradas que resultaram em acontecimentos dramáticos e catastróficos, da mesma forma, nosso personagem principal encontra-se em longa recuperação de sua dependência alcoólica. É no grupo de Alcoólicos Anônimos que ele conhece sua mais nova paixão e pupila, a então aprendiz de feiticeira, lésbica e escultora de mão cheia, Anneke. Há uma brusca quebra de narrativa observada até o momento, porém, logo dá indícios de que o assassinato do velho solitário pelas mãos da rusalka – amante de nosso personagem principal – interliga-se aos caminhos do passado e presente de Andrew, resultando na tentativa de vingança de uma muito irritada Baba Yaga.

A Situação Humana | Aldous Huxley

Título Original: The Human Situation
Autor: Aldous Huxley
Ano: 2016
Editora: Biblioteca Azul
Páginas: 294

Em 1959, cinco anos após publicar seu famoso livro As Portas da Percepção, onde aborda em detalhes os efeitos do uso da mescalina, Aldous Huxley é convidado pela Universidade de Santa Barbara para realizar uma série de palestras voltadas as mais diversas peculiaridades, desafios e equívocos da humanidade. As dezesseis conferências estão presentes nesta edição e embora determinadas ideias, conceitos e pesquisas estejam fortemente datadas, muitas reflexões estendem-se para a atualidade, demonstrando a visão e criticidade deste autor que a sua própria maneira, atingiu o patamar de clássico da literatura do século XX.

Por tratar-se de uma obra onde são reproduzidas palavras proferidas ao longo de diversas palestras, A Situação Humana, muito mais do que apresentar assuntos acadêmicos e reflexões de um autor de ficção que, como tantos, foi capaz de perceber o contexto de sua época – além das possíveis consequências de nossas ações enquanto sociedade - ressalta o fato de que a ciência e a academia não precisam ser ambientes desconectados da realidade, do mundo que lhes permite a existência. Com discurso acessível, crítico, reflexivo e absurdamente interessante, Huxley explora os mais diversos aspectos da vida humana, passando de desafios e elementos localizados em uma escala macro, até encontrar-se nas peculiaridades do próprio indivíduo.

"[...] não apenas não temos direito de tratar animais como coisas, mas posso dizer mais, não temos direito nem de tratar coisas como coisas. Se tratarmos objetos inanimados como coisas que podemos explorar à vontade, as consequências serão desastrosas." 

Resenha: O Macaco e a Essência

Título Original: The Ape and the Essence
Autor: Aldous Huxley
Ano: 2017
Editora: Biblioteca Azul
Páginas: 160
Amazon - Saraiva

A narrativa sempre fez parte da história humana, desde os primórdios de nossa vida neste planeta contamos histórias uns aos outros, transmitimos mensagens, pensamentos, conselhos acerca dos perigos e caminhos que poderíamos algum dia vir a trilhar.

Faz parte da essência da narrativa observar o ser humano e suas ações, encontrar as nuances que nos transformam naquilo que somos, reconhecer as consequências de nossas decisões e, apesar de toda a sua evolução, modificação para os mais diversos formatos – a quantidade de filmes, séries e jogos que possuímos hoje expressa isso muito bem – mesmo que em inúmeros casos encontremos apenas entretenimento e nichos de mercado, a narrativa é, por essência, reflexiva. Não importam as mudanças pelas quais a sociedade passou, muitos de nós e, felizmente, diversos autores, sempre souberam desse pequeno grande detalhe.

"Desde o começo da revolução industrial Ele previu que os homens se tornariam tão irresistivelmente presunçosos devido aos milagres de sua própria tecnologia, que em breve iriam perder todo o senso de realidade."

É difícil abordar uma obra de Aldous Huxley sem ressaltar sua habilidade com relação a criação de narrativas, sem destacar as profundas reflexões que insere nos mínimos detalhes e a cada novo momento, sem falar nas fortes críticas que tece para com a sociedade e as consequências de suas ações. O autor desenvolve com maestria e precisão cada uma de suas histórias, sejam elas longas, curtas, fáceis de ler ou, como no caso de O Macaco e a Essência, em formato de roteiro de cinema.

Resenha: O Livro do Juízo Final

Título Original: Doomsday Book
Autora: Connie Willis
Ano: 2017
Editora: Suma de Letras
Páginas: 573

Estamos no século XXI. A humanidade, que ao longo de sua breve história, já havia enfrentado as mais diversas epidemias bravamente superando cada uma delas, agora sofre com pandemias assustadoras. 

O avanço da ciência e medicina garantiu a criação dos mais diversos medicamentos e tratamentos de prevenção, porém, como a beleza da natureza está na capacidade de evolução de cada ser vivo, os seres microscópicos que pretendíamos evitar desenvolvem defesas contra nossas próprias defesas. Por muito tempo a humanidade encontrou-se em um entrave entre a invasão de inimigos invisíveis e nossa capacidade de combate-los.

O ano é 2054. Anos se passaram desde a última pandemia. A ciência e medicina avançaram a um patamar tal que, o homem já não sofre por qualquer tipo de doença. A tecnologia prosperou, fomos presenteados com um dos maiores sonhos e desejos de todo apaixonado por ficção científica, agora, historiadores são capazes de viajar ao passado e observar tudo o que realmente aconteceu nas páginas de nossa história.

“Nenhuma das coisas com que a gente se preocupa jamais acontece. Acontece uma que a gente nunca pensou. ”

A rede é capaz de enviar historiadores para o passado. Ela foi desenvolvida de forma a garantir a maior segurança tanto para quem fica, quanto para o indivíduo que será lançado para um ponto temporal específico e que lá deve permanecer até o dia combinado, quando a rede será reaberta e o trará novamente para seu devido ano. Todas as viagens realizadas, todos os testes tripulados e não tripulados, todos os cálculos mais seguros estão baseados em viagens para o século XX, porém, tudo está prestes a mudar pois Kivrin, uma jovem historiadora, realizará a primeira viagem para a Idade Média.

Resenha: Os Irmãos Sisters

Título original: The Sisters Brothers
Autor: Patrick deWitt
Ano: 2017
Editora: Planeta
Páginas: 253

O ano é 1851. O contexto é a febre do ouro, os assassinos e seus empregadores, homens cuja riqueza e poder decidiam quem vive e morre. 

Nossos personagens principais são dois irmãos cuja fama carrega consigo os nomes de todos aqueles que já não estão mais aqui para contar como foi seu amistoso encontro. Os dois matam em nome do Comodoro. Mas, apesar de estarmos falando de foras da lei, suas personalidades opostas conquistam o leitor logo nas primeiras páginas desta obra instigante, divertida e curiosa.

Eli e Charlie Sisters sujam as mãos de sangue e poeira enquanto o Comodoro espera pacientemente em sua confortável e espaçosa residência. Os irmãos se encontram com seu empregador para conhecer sua nova missão, acabar com a vida de Hermann Warm, homem misterioso que assim como muitos, partiu em busca de fortuna para os rios repletos de ouro, localizados no estado da Califórnia.

“Ocorreu-me que eu tinha cruzado o batente da porta por um cavalo do qual não gostava, mas Charlie não tinha feito o mesmo pelo sangue do seu sangue. ”

A dupla reúne seus poucos pertences e parte, com toda a habilidade e destreza adquirida por anos de prática, em busca da morte de Warm. Porém, são os eventos e aventuras que os preparam para o encontro que transformam a simples vida de assassinos, em uma viagem fascinante pelo Velho Oeste, destacando as diferenças profundas entre os irmãos, os anseios, sonhos e dúvidas de Eli com relação ao que poderíamos classificar como seu ofício e como, de um momento para outro, sua sorte é capaz de mudar.

Resenha: O Pistoleiro

Título Original: The Gunslinger
Autor: Stephen King
Ano: 2004
Editora: Suma das Letras
Páginas: 224

O ano é 1967 e, embora o garoto alto e revoltado, que andava pelas ruas com diversas histórias borbulhando em sua mente ainda não tivesse se transformado no fenômeno mundial conhecido por Stephen King, em seu coração ele sabia que suas histórias mereciam se materializar em formato de livro, fossem elas assustadoras, aclamadas pela crítica ou repletas de elementos fantásticos. 

Aos dezenove anos o garoto que ia contra a alta literatura e consumia todo o tipo de livros populares, se encantou com as aventuras e jornadas fantásticas criadas por Tolkien. Ele sabia que algum dia iria escrever sua própria aventura fantástica, esta, porém, em seus próprios termos, com sua marca pessoal e, com uma forte ligação com o mundo real. Assim nascia a semente do que hoje conhecemos pela série A Torre Negra.

Roland de Gilead, o último de toda uma legião de pistoleiros, encontra-se no meio do maior deserto que sua terra desolada já viu. O horizonte não esconde a falta de esperança que assombra o lugar, porém, sua força de vontade é maior. O personagem principal do primeiro capítulo da série A Torre Negra encontra-se em uma busca, uma perseguição cujo início e motivações sua memória já não é capaz de lembrar. Atravessando o deserto ele persegue, ou quem sabe seja conduzido, pelo misterioso Homem de Preto.


“O homem de preto fugia pelo deserto e o pistoleiro ia atrás. ”

Resenha: Não Me Abandone Jamais

Título original: Never Let Me Go
Autor: Kazuo Ishiguro
Ano: 2017
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 343

Kathy H. cresceu, estudou e passou toda sua infância no internato para crianças especiais, reconhecido em todo o mundo por seus métodos únicos e sua filosofia alternativa. Toda e qualquer criança proveniente dos outros internatos espalhados pelo país admitem a sorte que Kathy e seus amigos tiveram. 

Mesmo com o fechamento de Hailsham e o fato de que com o encerramento das atividades da instituição seus idealizadores não são mais vistos com facilidade, a época vivida no internato ainda é uma das memórias mais queridas e agradáveis na mente da cuidadora que, com trinta e um anos, está prestes a encerrar suas atividades e partir para o trabalho de doadora.

A personagem nos apresenta sua vida com delicadeza, sutileza e simplicidade. Aos poucos, descobriremos que todos os seus melhores amigos já não existem, foram levados pelo árduo caminho dos doadores. Com tempo e cuidado, a personagem cria uma aura de mistério com relação a todas as crianças provenientes de Hailsham, nos faz indagar quanto ao propósito de suas vidas em uma sociedade que, apesar de reconhecer sua existência, parece não compreender como realmente tratá-las. Além disso, com uma simplicidade e adorável reflexão, descobriremos a magia, dores e alegrias do amadurecimento.
"Porque no fundo não importa quão bem seus guardiões tentem prepará-lo: todas as conversas, todos os vídeos, debates, avisos, nada disso consegue, de fato, deixar as coisas bem claras, transparentes."

Resenha: O Sorriso da Hiena

Título original: O Sorriso da Hiena
Autor: Gustavo Ávila
Ano: 2017
Editora: Verus
Páginas: 261

Seria possível detectar as nuances encontradas na diversidade de indivíduos que compõem uma sociedade e, através de uma análise profunda, perceber aqueles cujas ações culminariam em atos de crueldade? Nascemos com a maldade em nossa essência ou seriam os eventos vivenciados, as trajetórias de nossas vidas que levam a agirmos de maneira desprezível? Não seria o ser humano, em toda sua diversidade e peculiaridade, capaz de decidir acerca de suas próprias tomadas de decisões?

Aconteceu em uma noite escura. Um garoto de oito anos é amarrado no centro da sala de estar daquela residência que um dia chamou de lar. Ele é forçado a assistir de olhos abertos o assassinato de seu pai e mãe, aqueles que o amaram e buscaram proteger. O assassinato é cometido com requintes de crueldade. A língua do pai é cortada e o mesmo é amordaçado de maneira a engasgar-se com o próprio sangue. A mãe, por motivos incertos, recebe misericórdia, levando um tiro na cabeça e falecendo logo em seguida. 

O garoto é abandonado na cena do crime, vivo, em choque, livre para seguir com os anos que lhe restam e ser assombrado pelo passado. A falta de tratamento necessário, sua possível tendência para o mal, talvez a falta de uma compreensão acerca da ética, que deveria ser construída ao longo de seu crescimento, levam David, a, anos mais tarde, cometer exatamente o mesmo crime, utilizando as mesmas características, as mesmas armas, porém, com motivações de cunho “científico”.


“Basta a vida tocar no lugar certo para despertar o pior em qualquer pessoa.”

Resenha: Paixão Libertadora

Título Original: An Ounce of Hope
Autora: Sophie Jackson
Ano: 2016
Editora: Arqueiro
Páginas: 352

Paixão Libertadora é o segundo volume da trilogia Desejo Proibido aqui no Brasil. A série conta também com mais dois contos, o primeiro já disponibilizado pela Arqueiro. No primeiro livro, conhecemos Carter e Katherine, neste segundo, apesar da presença deles e dos acontecimentos em paralelo, iremos conhecer um novo casal.

Quando Carter percebeu o estado depreciativo que seu melhor amigo Max O'Hare estava se metendo pelo luto, pelo abandono e principalmente pelas drogas, não mediu esforços para ajudá-lo. Com a ajuda do amigo, iniciamos o livro com Max em uma clínica de reabilitação para se livrar das drogas e também conseguir lidar com as feridas do passado que quase o mataram. Enquanto isso Grace Brooks resolve começar a sua vida numa cidade do interior, mesmo com todo o receio de seu irmão em deixa-la vivendo ali, em uma cidade totalmente desconhecida. Mas isso é exatamente disto que Grace precisa. Um tempo para recomeçar, para redescobrir toda sua autoconfiança, que seu ex-marido destruiu em milhões de pedaços.

Grace agora é protegida por uma liminar, onde ele não pode mais se aproximar dela, porém, isso está longe de trazer a velha Grace de volta. Ela precisa confrontar todos seus medos e todos os traumas passados neste relacionamento abusivo. Foram anos de agressões físicas e psicológicas, o bastante para mudar completamente o comportamento de Grace. Os destinos desses dois personagens se cruzam no momento em que Max recebe alta de sua reabilitação e resolve adiar sua volta para Nova York, para se adaptar lentamente a nova vida longe de vícios. Seu refúgio é na casa do seu tio, onde trabalharia na construção da casa de Grace, que acabara de se mudar para a cidade.

"Ele estava cansado, emocional e fisicamente. Por mais legal que fosse ver os rostos familiares dos amigos, aquilo no fundo o feria. Ali estavam pessoas que, de uma maneira ou de outra, ele tinha machucado, ferrado ou decepcionado."

Resenha: Noturno

Título Original: Nocturnal
Autor: Scott Sigler
Ano: 2017
Editora: Darkside
Páginas: 512

Você já sentiu medo do escuro? Temeu pelo momento em que as luzes se apagassem e os monstros que, a princípio existem apenas nos cantos mais sombrios de sua mente, surgissem em toda sua crueldade, barbárie e forma grotesca diante de seus olhos, prontos para devorar, despedaçar, assassinar a pobre alma que cruzasse seu caminho?

Nos túneis subterrâneos de São Francisco escondem-se criaturas misteriosas, assassinos por natureza, cruéis em sua forma de matar, e agora, eles estão agindo com maior frequência, estão tomando coragem e se aventurando pela noite escura, fazendo vítimas que, aparentemente, não possuem qualquer ligação entre si.

Ao descobrir o corpo de uma das vítimas, um símbolo estranho que se repete em cada nova cena de crime e um cheiro forte que parece afetar profundamente nosso peculiar policial Bryan Clauser, leitor e personagem irão adentrar em uma caçada pela verdade, por monstros reais, pelas trevas que tomam conta da cidade e tiram a vida de inocentes. Juntamente ao corpo da polícia de São Francisco, de um adolescente solitário, de uma adorável legista e de monstros de aparência bizarra, seremos devorados por uma obra que, apesar da quantidade considerável de páginas, prende o leitor do início ao fim.


"Bryan tirou uma folha de papel do bolso. desdobrou-a e a passou para Pookie. Ele olhou a imagem: um triângulo inacabado com um círculo cortando as linhas abaixo das pontas, um círculo menor no centro."

Resenha: A Desconhecida

Título Original: Pretty Baby
Autora: Mary Kubica
Ano: 2017
Editora: Planeta
Páginas: 352

Existem histórias que guardamos nos cantos mais sombrios de nossas mentes. Histórias reais, de tristezas, perdas, decepções, traumas ou fantasmas que ainda nos assombram durante a noite e, por mais que estejam escondidas dos olhares observadores e analistas de pessoas de fora, acabaram por nos transformar naquilo que somos hoje. 

O mundo, em sua essência mais humana, é formado por histórias que se cruzam, que se findam com o início de outras, que se conectam entre si e permitem que novos acontecimentos se anexem a vida e lembranças de cada um de nós. Mas, é através de histórias de desconhecidos, de pedestres que andam pelas ruas, de adolescentes perdidos ou de bebês separados de suas mães, que percebemos a complexidade da vida e destas histórias que insistimos em esconder.

Heidi, ao contrário da grande maioria dos moradores de Chicago, faz o possível para ser a diferença na vida de pessoas em estado de necessidade, carentes de elementos básicos para a vida humana. Através de sua ONG, ela auxilia crianças, jovens e adultos carentes, fazendo o possível para que, mesmo com pequenas ações, suas vidas se alterem. O coração bondoso de Heidi, sua necessidade de ajudar, os traumas que guarda consigo e evita comentar até mesmo com seu marido Chris, fazem com que, durante uma noite chuvosa, enquanto pessoas saem de um trem para outro, enquanto o ritmo frenético do fim de tarde cega olhos cansados, é Heidi quem percebe uma adolescente perdida, carregando uma adorável bebê.


"Sorrir não é algo que a garota faça naturalmente. Eu a comparo com Zoe e sei que é mais velha. O desespero em seus olhos, por um lado, a falta da vulnerabilidade evidente de Zoe, por outro. E claro, há a bebê."

Resenha: A Casa do Lago

Título Original: The Lake House
Autora: Kate Morton
Ano: 2017
Editora: Arqueiro
Páginas: 464

Algumas histórias são construídas sob fundações habilmente interligadas a elementos fantásticos, encantadoramente misteriosos, ligeiramente fictícios, porém, como toda boa história, com reflexos de realidade transparecendo para além da superfície. 

Algumas famílias, igualmente fictícias ou encontradas na realidade de nossas vidas, são formadas através da maldição e benção que é viver através da criação das mesmas histórias fantasticamente reais de nossos mundos. A família Edevane reconhece todo o trabalho, magia, tristeza e alegria que o mistério e encantamento que cerca sua história, os encontros e desencontros observados nas linhas da vida de cada membro da família e as consequências enfrentadas para garantir a solidez das aparências sejam mantidas e que crianças continuem a ser crianças até o momento em que a vida atropele seus sonhos.

Durante uma noite delicadamente decorada na memória de cada pessoa que já passou pela adorável Loeanneth, durante os eventos agradáveis e peculiares em que membros do restrito círculo da família Edevane observam comportamentos estranhos em cada rosto, cada ato, cada palavra pronunciada e perdida no meio de tantas vozes, uma garotinho desaparece. Enquanto caminhos se cruzam e desencontros acontecem, no momento em que tristezas são enterradas, esperanças se perdem, certezas se encontram no meio dos momentos mais contraditórios, no meio da celebração do solstício de verão, o pequeno Theo Edevane desaparece para sempre da vida de sua família. Ninguém é capaz de dizer o que houve ou as motivações por trás do desaparecimento do garoto, porém, esse evento, o estopim para o fim da rotina e das certezas, deixa sua marca em Alice Edevane, fazendo com que, mesmo anos mais tarde ela tenha certeza acerca do desaparecimento, seja capaz de construir histórias policiais como nenhum outro autor, e, tenha seu futuro transformado por algo que guardou consigo por toda uma vida.


“Tinha vindo mais cedo cavar o buraco, mas só agora, sob o véu da escuridão, terminara o trabalho.”

Resenha: A Garota Corvo

Título Original: Krakflickan, Hungerelden e Pythians Anvisningar
Autor: Erik Axl Sund
Ano: 2017
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 580

Engana-se quem pensa que a Suécia, lar de um dos meus autores preferidos, criador da melhor personagem feminina que já tive a chance de encontrar em muito tempo, também conhecido por Stieg Larsson, produziu única e simplesmente uma das melhores séries já publicadas. 

Esse país frio e maravilhoso, querido por todos os livros escritos, além é claro, daqueles que ainda serão publicados, é também o lar de autores criativos, cruéis e dolorosamente realistas. A Suécia, apesar de ainda não ter me apresentado toda sua sede de sangue, vingança e justiça, se tornou um país no qual sei que posso contar quando preciso de histórias misteriosas, repletas de personagens complexos e bem construídos, com tramas interligadas a uma realidade que muitas vezes insistimos em não enxergar, e, porque não, com um número de páginas considerável. 

Quando A Garota Corvo surgiu no mercado literário brasileiro, com toda sua promessa de uma trama instigante e, misteriosamente comparada a Trilogia Millennium, esperava encontrar mais uma história maravilhosa de suspense e segredos enterrados, porém, o que vi nas páginas desse livro vai além de tudo o que poderia imaginar. Apesar de seus pequenos furos, de alguns deslizes que mencionarei ao longo da resenha, a história é agradavelmente realista, além de adoravelmente cruel, e como tantos outros livros, merece a recomendação.

Resenha: Na Escuridão da Mente

Título Original: A Head Full of Ghosts
Autor: Paul Tremblay
Ano: 2017
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 262

Existe uma casa, localizada em um agradável bairro familiar, onde os vizinhos são próximos e as crianças brincam nas calçadas, que presenciou eventos inimagináveis para a maioria dos moradores. Esta casa encontra-se abandonada, perdida no tempo e no espaço, em uma busca desesperada pela oportunidade de abrigar novamente uma família e, com sorte, ser a garantia de boas lembranças e risadas fáceis, além de seguir por um caminho diferente do vivenciado por seus antigos donos. 

Quando, quinze anos depois, a única sobrevivente da família Barrett retorna para a residência que é seu maior trauma da infância, da mesma forma como foi a responsável por transformá-la na adulta que é, fantasmas e segredos ressurgem com o único intuito de contar a verdade sobre o que realmente aconteceu ali.

A família de classe média, composta por uma mãe trabalhadora e preocupada, um pai recém desempregado e possivelmente machista, além das irmãs Marjorie e Merry, morava em uma residência de dois andares em um bairro familiar. A perda do emprego afeta o patriarca de forma considerável, fazendo com que este se torne irritadiço e volte suas esperanças para a fé que, durante muito tempo esqueceu, na santa igreja católica. Marjorie, a irmã mais velha, cujas histórias encantavam a pequena Merry, passa a apresentar comportamento distante, suas histórias se tornam sombrias, suas atitudes geram desconforto na irmã mais nova e trazem consigo a preocupação dos pais. Enquanto Merry possuí posição privilegiada como observadora das mudanças na casa, a mãe trabalha como nunca para manter a rotina da família, o pai se volta para a igreja como nunca antes, e Marjorie começa a ter surtos nunca antes vistos.

"Mamãe se deitara ao meu lado. Eu chorava histericamente e perguntava sem parar o que havia de errado com a minha irmã. Ela esfregara minha testa e mentira para mim, dizendo que tudo ficaria bem."

Resenha: No Sufoco

Título Original: Choke
Autor: Chuck Palahniuk
Ano: 2015
Editora: LeYa
Páginas: 272

Quando um autor, sendo ele ou ela, contemporâneo ou clássico, de terror ou fantasia, consegue cativar o leitor a ponto de entrar para sua lista de favoritos, muitas vezes pode cair em enrascadas. 

Não posso falar por todos os leitores do mundo, mas para essa pessoa sentada do outro lado da tela do computador, a leitura de obras dos meus autores favoritos traz consigo uma certa expectativa que, espera, deseja, almeja ser atendida, e se possível, ultrapassada. A enrascada surge quando aquele autor, que tanto adoramos e indicamos sempre que possível, não é capaz de nos surpreender, nos deixando até mesmo um pouco decepcionados com suas obras. É exatamente neste contexto que No Sufoco, livro escrito por meu amado Chuck Palahniuk, se encontra.

Victor Mancini está na idade que muitos poderiam classificar como jovem adulto. Por motivos desconhecidos ele largou a faculdade de medicina, trabalha todos os dias no ano 1734 – não exatamente neste ponto temporal, mas em uma espécie de museu aberto que imita a vida e os costumes do período histórico – e ele recebe um salário lamentável por seus esforços. Victor mora na casa da mãe, luta para manter a vida daquela que, supostamente, lhe deu à luz. Ele paga caro por seu atendimento, cuidados e estadia em um hospital descente, uma vez que Ida Mancini está em estado grave, definhando a cada dia. Para fechar o pacote, existem duas coisas condenáveis que você precisa saber sobre o Victor. 

Resenha: A Ilha

Título Original: Island
Autor: Aldous Huxley
Ano: 2017
Editora: Globo
Páginas: 400

No ano de 1932, a obra concebida pelo olhar aguçado e crítico de Aldous Leonard Huxley é publicada pela primeira vez. Admirável Mundo Novo, livro que se transformou em clássico da modernidade, com toda a sua contextualização, visão crítica e, até certo ponto, sombria da sociedade, posicionou o autor no patamar de gigantes da literatura, consagrando a visão de um escritor que, muito mais do que criador de histórias fictícias, era capaz de refletir sobre a sociedade ocidental e todos os caminhos equivocados que estava trilhando, e ainda viria a trilhar. 

Por muitos anos ouvi o nome de Aldous Huxley sendo dito entre os mais diversos meios; tive a oportunidade de ler comentários simples, aprofundados, equivocados ou críticos sobre suas obras; e apesar da curiosidade, das indicações ou falta delas, até o presente momento nunca tinha recebido a chance de me aventurar por suas histórias. Com sua escrita desafiante, sua crítica aguçada, as mais diversas reflexões sobre o modelo de sociedade ocidental, e é claro, a criação de uma sociedade perfeitamente utópica, entrei, pela primeira vez no universo criado pelo autor. Hoje, após finalizar a leitura daquela que foi sua última obra publicada e minha primeira experiência com o autor, venho compartilhar com vocês a grandeza de uma obra que, talvez eu nunca seja capaz de compreender em sua totalidade.

“Em 1930, qualquer observador atento e esclarecido teria visto que, para três quartos da raça humana, a liberdade e a felicidade estavam absolutamente fora de questão. ”

Resenha: O Sal da Vida

Título Original: Le Sel de la Vie
Autora: Françoise Héritier
Ano: 2012
Editora: Valentina
Páginas: 96
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Após ter escrito algumas resenhas aqui para o Estante Diagonal eu sinceramente pensava que já tinha passado por tudo. Passei por resenhas que foram extremamente difíceis de escrever, outras que me proporcionaram grande reflexão, escrevi resenhas que me divertiram muito e outras que me fizeram sofrer por recordar tristes finais, tenho até uma resenha preferida (essa aqui ó). Mas após tantas experiências, confesso que essa, dentre todas as resenhas que já escrevi por aqui, foi a mais fácil de escrever.

O Sal da Vida é um livro extremamente simples. Tudo teve início através de uma conversa, e não é assim que as melhores obras são pensadas? Após o término, ou seria início, da conversa com um amigo próximo, a autora passa a refletir sobre o que faz a vida ser o que ela é, porém, seria a vida o que é para todas as pessoas ou sua essência é capaz de ser alterada conforme a vivência de cada indivíduo? Através dessas reflexões iniciais a autora passa então a pensar sobre o que torna a vida especial, qual seria o Sal da Vida. É com esses pensamentos que a obra toma forma.

"O acontecimento se vai, levanta voo, mas o essencial fica gravado no corpo e ressurge com o charme furtivo de uma evocação, com o frêmito de uma sensação, com a força surpreendentemente viva e às vezes incompreensível de uma emoção."

Resenha: A Garota que Perseguiu a Lua

Título Original: The Girl Who Chased the Moon
Autora: Sarah Addison Allen
Ano: 2012
Editora: Planeta
Páginas: 239
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Quais, dentre a diversa gama de características e situações pelas quais passamos na jornada de nossas vidas, são capazes de determinar quem verdadeiramente somos? De que maneira as experiências de nosso presente poderão afetar nosso futuro? Seria possível fugir dos fantasmas do passado, dos erros e ações de versões mais novas de nós mesmos e, moldarmos como toda e qualquer pessoa, virá a nos enxergar? 

Quantas vezes ao longo de nossa jornada não mudamos de ideia, nos arrependemos de atitudes impensadas, mudamos o que somos para garantir que a carga do passado, mesmo aquela que insistimos em esconder e que pesa em nossos ombros, faça valer cada nova escolha. A vida esconde dentro de sua essência uma magia intocada, é capaz de transformar arrependimentos em experiência, erros em novos caminhos, e quando nos damos conta, estamos mudando muito mais do que nós mesmos.

Emily Benedict é uma adolescente comum, criada apenas por sua mãe. Ela cresceu seguindo os rígidos padrões éticos e morais de Dulcie, estudou na escola que sua mãe fundou, conheceu os princípios de responsabilidade e engajamento desde pequena, mas nunca, nunca ouviu qualquer história sobre sua família, sobre o passado de sua mãe, sobre quem ela foi e como se transformou na pessoa que era antes de falecer. Após a morte de Dulcie, Emily está sozinha no mundo, porém enquanto a figura materna permanece apenas como uma querida lembrança, histórias do passado surgem para apresentar um novo mundo para a garota.

Resenha: Frankenstein, ou, o Prometeu Moderno

Título Original: Frankenstein, or, The Modern Prometheus
Autora: Mary Shelley
Ano: 2017
Editora: Darkside
Páginas: 304
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A curiosidade, racionalidade e a criatividade sempre estiveram presentes na mente e evolução do homem. Não fossem por estas três características, provável seria que muitos dos avanços da atualidade, das revoluções do passado, ou do pensamento do presente não existissem na forma como os conhecemos hoje. Porém, o que para muitos pode ser compreendido como o diferencial, a salvação da humanidade, também pode ser classificado como nossa maldição e ruína.

Desde o fim da Idade Média a humanidade, por muito ligada, presa aos costumes e mentalidade da Igreja, se volta para a razão, para as ciências, para um método rigoroso de comprovação e observação da realidade e segredos do mundo. A ciência, durante muito tempo foi compreendida como a redentora da humanidade, aquela capaz de resolver todos os erros, descobrir todos os mistérios, reparar cada defeito da natureza e do próprio ser humano. A fé cega, os avanços desenfreados, a falta de reflexão sobre ações, escolhas e nossa posição no mundo foram responsáveis por trazer as mais terríveis realidades, porém, nas mais diversas épocas, mentes brilhantes foram capazes de enxergar através da neblina e dizer onde aquele caminho levaria. Este, é apenas um deles.

“A curiosidade, a pesquisa séria para aprender as leis ocultas da natureza, a alegria semelhante ao êxtase à medida que se revelavam para mim, acham-se entre as primeiras sensações de que me recordo. ”