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Le Chevalier nas Montanhas da Loucura | A. Z. Cordenonsi e Fred Rubim

Título Original: Le Chevalier nas Montanhas da Loucura
Autor: A. Z. Cordenonsi e Fred Rubim
Ano: 2018
Editora: Avec
Páginas: 64

Após conhecer a aventura steampunk criada por A. Z. Cordenonsi em Le Chevalier e a Exposição Universal, chegou a hora de conhecer mais um capítulo do espião sem nome e seu fiel escudeiro. Desta vez em quadrinhos, Le Chevalier irá enfrentar o Justiceiro da Paz.

Mas afinal, quem é Chevalier? Ele é um espião e principal agente do Bureau Central de Inteligência e Operações, protegendo o Império Francês contra seus inimigos. Tudo isso acontece enquanto a França lidera a Revolução Industrial em um mundo steampunk. Nesta HQ, nosso protagonista terá que superar suas diferenças com antigos inimigos em prol de algo maior. Recrutados pela mais famosa ladra do Comitê, Irene Adler, Chevalier irá embarcar na última tentativa de parar o Justiceiro da Paz, um chantagista que vem ameaçando as principais potencias mundiais para que todos eliminem seus poderes de guerra, caso isso não aconteça, ele mesmo fará isso com o poder do que ele chama de Raio da Morte, uma arma capaz de eliminar alvos a quilômetros de distância. 

Antes que o mundo entre em guerra, o grupo segue para o cenário gélido da Antártica em busca de pistas de onde pode estar localizado o esconderijo do inimigo, e para isso eles terão que seguir os passos de uma antiga expedição da Universidade Miskatônica no que são chamadas, as Montanhas da Loucura.

January Jones: O Crânio de Mkwawa | Martin Lodewijk e Eric Heuvel

Título Original: January Jones Deel 2: De Schedel Van Sultan Mkwawa
Autores: Martin Lodewijk e Eric Heuvel
Tradução: Paulo Henrique Goés Tirre
Ano: 2018
Editora: AVEC
Páginas: 48
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January Jones chegou no Brasil através da Editora AVEC em 2016. Ela é uma heroína que possui muitas semelhanças com grandes mocinhos como Indiana Jones (o próprio nome diz) e figuras femininas mundialmente conhecidas como a espiã Mata Hari e a aviadora Amelia Earhart. O traço do quadrinho, criado originalmente no final de 1980 por Martin Lodewijk e Eric Heuvel, chamado Linha Clara, é um clássico, que é um estilo de desenho popularizado por Hergé, o criador de Tintim, e tem como característica exagerar no traçado e tornar os personagens mais caricatos. 

No segundo volume da série, O Crânio de Mkwawa, que marca o retorno da heroína para o Brasil, January e seu fiel escudeiro e mecânico Rik estão de volta a França e para pregar uma peça em sua amiga, Rik não demora muito para encontrar encrenca. Ele acaba comprando um misterioso crânio que havia sido do Sultão de Mkwawa, a peça fora tomada pelos alemães na Primeira Guerra. Porém não demora muito para que a relíquia vire um objeto bastante cobiçado por figuras muito suspeitas, quando se descobre que pode haver um importante mapa para um tesouro perdido dentro do crânio. Sendo assim, está dada a largada para mais uma aventura cheia de ação de January e, o melhor, que se passará dentro das Catacumbas de Paris.

Este foi meu primeiro contato com a aviadora January Jones. E que surpresa agradável que tive. Confesso que tive um pouco de dificuldades em me adaptar com o traço e texto extenso do quadrinho, mas depois de algumas páginas, já consegui aproveitar ao máximo da jornada da destemida Jones. Uma curiosidade é que como não li ainda o primeiro volume, sinto que perdi alguma coisa na relação de Jones e Rik, mas isso deve ser mero detalhe ao final de tudo. Estou errada?

Clara Carcosa | Juliana Fiorese

Título Original: Clara Carcosa
Autora: Juliana Fiorese
Ano: 2018
Editora: Independente
Páginas: 120

Clara Carcosa é a primeira HQ e história que a ilustradora Juliana Fiorese cria. Aqui acompanharemos uma história de terror, narrada em primeira pessoa por Clara, uma garota que se encontra perdida num lugar completamente desconhecido. Tudo que Clara vê neste lugar é escuridão, tudo que sente é solidão e tudo que ouve é silêncio.

Clara não consegue lembrar de nada que possa ajudá-la a sair desse lugar. Mesmo assim ela segue seu caminho e começa a enfrentar seus medos, percorrendo os caminhos que antes ela evitava. Por este trajeto, Clara vai tendo pequenos flashbacks, momentos que irão revelando a ela os segredos desse lugar. É assim que acompanhamos a jornada de Clara Carcosa em busca de respostas, de que lugar é este e quem ela é.

Apesar das ilustrações fofas assinadas por Juliana, esta é uma HQ de terror e indicada para maiores de 16 anos. Eu, como uma admiradora do gênero, fiquei bastante feliz em saber que a ilustradora não só não teve medo de trazer um tom mais sombrio para sua primeira HQ, como também explorou vertentes que realmente mexem com a cabeça do leitor, como a possibilidade de interpretarmos a história devido a narrativa, não muito confiável da personagem.

"Quando não temos noção de tempo e espaço, pare que a sanidade também nos falta."

Sem Volta | Charles Burns

Título Original: Last Look Trilogy #1-3
Autor: Charles Burns
Tradução: Diego Gerlach
Ano: 2018
Editora: Quadrinhos na Cia.
Páginas: 176
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Sem Volta é um encadernado que inclui os três gibis lançados pelo cartunista Charles Burns, entre 2010 e 2014, nos Estados Unidos, e agora chega ao Brasil pelo selo da Companhia das Letras, o Quadrinhos na Cia. 

Doug é um garoto jovem, recém saído da adolescência, com um cabelo arrepiado, digno de Tintim, é o personagem principal de uma graphic novel muito louca e cheia de metáforas. A Graphic Novel conta a história desse personagem, mostrando informações da sua vida, momentos importantes, como a doença do seu pai e a sua paixão pela jovem Sarah.

A história fala muito sobre amor, sobre perdas, sobre momentos que nunca mais irão voltar para a vida de Doug e principalmente de decisões que ele precisou tomar para seguir sua vida e as consequências que elas geraram. Acima de tudo, fala também sobre os encontros e desencontros que um amor pode gerar. Entretanto, o enredo da história me pareceu muito atrapalhado. Não se sabe o que é sonho do personagem e o que é a realidade da vida dele. A parte que parece ser sonho, é bem bagunçada e tem pouco sentido, a não ser algumas metáforas que dá para pegar com facilidade.

Sem Volta tem uma carga emocional muito forte, mas achei que a parte metafórica atrapalhou muito a história principal. Queria ter visto mais sobre a vida de Doug, saber com mais detalhes até outras relações que ele teve ou viria a ter, ou como ele sentiu realmente o baque da perda do seu pai e como a sua vida, as vezes, não faz sentido, ao invés de ver algumas cenas absurdas e completamente dispensáveis em sonhos completamente fantasiosos. Estes trechos apesar de apresentarem algum sentido acabam apresentando metáforas que seriam muito melhores se feitas de outra maneira, eu também gostaria de ter visto mais sobre a história de Sarah, que possui uma vida complicada, com problemas em relacionamentos anteriores e que tem um reflexo imenso tanto na vida dela como na de Doug.

Black Dog | Dave McKean

Título Original: Black Dog: The Dreams of Paul Nash
Autor: Dave McKean
Ano: 2018
Editora: Darkside Books
Páginas: 120

A Darkside Books mais uma vez encanta com uma edição maravilhosa do seu selo de Graphic Novel. Desta vez com Black Dog, um relato ilustrado e roteirizado por Dave McKean, a partir de pinturas do renomado artista britânico Paul Nash.

Paul Nash é conhecido como o pintor da guerra, com 25 anos, em 1914, foi convocado pelo exército britânico para batalhar na primeira guerra mundial e suas pinturas são completamente fundamentadas por suas experiências nas batalhas, com seu surrealismo retrata a solidão, as batalhas e as perdas que teve em sua vida durante os anos de guerrilha. 

Em Black Dog, Dave McKean põe em quadrinhos a vida deste pintor renomado, roteirizando sua vida em detalhes e usando algumas de suas obras como pano de fundo para isso, mantendo o estilo de desenho e inserindo neles outros elementos para deixar a história melhor representada.

A cada início de capítulo há a reprodução de uma pintura de Nash, em seguida a história escrita e ilustrada por McKean, exemplificando o momento pelo qual o pintor passava em sua vida. Com poucos diálogos e muita narrativa, o texto vai explicando aos poucos o momento no qual ele estava em sua vida, seja em meio a batalha na guerra, perdendo algum amigo em combate ou até mesmo com medo. No inicio do livro, Dave, inclusive, situa o leitor no ambiente pré-guerra na Inglaterra, mostrando como o avanço da guerra parecia desacreditada, mas que em seguida pegou força e acabou durando vários anos e fazendo vários jovens perderem suas vidas defendendo seu povo em uma ideia absurda partida de um louco que mudou completamente o mundo.

A Marcha | John Lewis, Nate Powell e Andrew Aydin

Título Original: March
Autores: John Lewis, Nate Powell e Andrew Aydin
Ano: 2018
Editora: Nemo
Páginas: 128
Amazon - Saraiva

John Lewis é um importante parlamentar dos Estados Unidos e figura importantíssima no movimento dos direitos civis. Nesta HQ, ilustrada e editada por Nate Powell e Andrew Aydin, Lewis narra sua trajetória de vida, que vai desde sua estadia numa pequena fazenda no Alabama à sua participação nas manifestações pelo fim da segregação racial, na sua entrada no Congresso até o dia que recebeu uma Medalha Presidencial pelas mãos de Barack Obama, o primeiro presidente negro da história do país.

Para contextualizar, é importante lembrar que na década de 60 ocorreram diversas marchas em prol dos direitos civis negros nos Estados Unidos. John Lewis, inicia sua narrativa no episódio que seria um marco para as conhecidas Marchas de Selma a Montgomery. Na Ponte de Edmund Pettus, seiscentos manifestantes protestavam pacificamente, quando foram atacados pela polícia local com cassetetes e gás lacrimogênio, esta marcha ficou mundialmente conhecida como Domingo Sangrento.

Aqui voltaremos num tempo onde a segregação racial estava em alta e que mesmo com leis que asseguraram a igualdade entre brancos e negros, na realidade era bem diferente. Os negros não tinham o direito de ir e vir, não podiam frequentar os mesmos locais que os brancos, tinham banheiros separados e não podiam votar. Notando todas as dificuldades que sua família vivia, desde pequeno, Lewis ainda muito cedo já pensava sobre o assunto e como tudo aquilo poderia ser, um dia, resolvido.

Resenha: Paciência

Título Original: Patience
Autor: Daniel Clowes
Ano: 2017
Editora: Nemo
Páginas: 184
Amazon - Saraiva

Paciência foi meu segundo contato com o premiado quadrinista Daniel Clowes e me vi positivamente surpresa com as distintas abordagens de temas do autor. Gostei muito do fato de Clowes trabalhar todo o turbilhão de emoções existentes na adolescência em Ghost World e em Paciência, apresentar ao leitor uma viagem cósmica através do espaço-tempo. Nesta HQ, o mais novo trabalho do autor, Clowes une amor, vingança, ficção cientifica e as questões existenciais que assombram qualquer indivíduo.

Conheceremos Jack Barlow, um homem que não medirá esforços para garantir a segurança de sua amada Paciência. O problema é que ela já morreu, fora assassinada, e agora Jack está obcecado em encontrar quem poderia ter cometido o crime e ter arrancado Paciência e seu futuro filho de seus braços. Com um poderoso método de voltar no tempo, Jack acaba retornando a sua vida passada, mas no trajeto, acaba não só descobrindo mais sobre si mesmo, mas também mais sobre os fantasmas que sempre assombraram sua esposa.

Assim como a capa refere, prepare-se para uma explosão de cores. Uma das características que acho importante mencionar do autor, é que o traço de Daniel Clowes é bem underground. É um tipo de traço e colorização que pouco encontramos nos dias de hoje e por isso é tão peculiar. Extremamente colorido e explorando muito as expressões e emoções dos personagens, aqui o artista dá ar mais psicodélico a obra, nos levando a viagem no tempo e a loucura também. 

"– Mas vou te dizer uma coisa, aquela garota não gostaria de te ver assim. Uma garota doce com essa gostaria de te ver seguindo a vida. – Ela não pôde seguir a vida dela."

Resenha: Alena

Título Original: Alena
Autor: Kim W. Andersson
Ano: 2017
Editora: Avec Editora
Páginas: 120
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Alena é a primeira graphic novel europeia de horror a ser publicada no Brasil, pela Avec Editora. Sob a autoria do quadrinista sueco Kim W. Andersson, Alena foi a ganhadora de um dos maiores prêmios dos país, direcionado apenas para quadrinhos, a The Adamson Statue. Além disso, em 2015, a graphic novel foi adaptada para o cinema com o mesmo nome. 

Nesta história conheceremos Alena, bolsista numa escola elitista, ela é constantemente alvo de bullying e a principal causadora do seu sofrimento é Filippa, uma das mais populares e arrogantes garotas da escola. Alena parece não ser ouvida naquele lugar e sua melhor amiga, Josefin, a encoraja para que ela não aceite mais as provocações e que caso ela não tome alguma atitude, ela mesmo irá resolver todo o problema. Só há um porém, Josefin está morta há um ano.

Quando Kim W. Andersson veio ao Brasil, para a 63º Feira do Livro de Porto Alegre e também para uma sessão de autógrafos em São Paulo, tive o prazer de conhece-lo pessoalmente. Kim foi muito simpático com cada leitor e garantiu para cada um, o seu autógrafo que levava o rosto da sua protagonista banhada a sangue. Pelas poucas palavras que troquei com ele pude sentir o quanto Kim é apaixonado pelo que faz e o prazer que ele tem em se relacionar com as pessoas. Um reflexo avesso se comparado a personalidade de sua personagem.

Resenha: Creepshow

Título Original: Creepshow
Autores: Stephen King, Bernie Wrightson, Jack Kamen
Ano: 2017
Editora: Darkside
Páginas: 64
Amazon - Saraiva

Creepshow é originalmente um filme de 1982 dirigido por George A. Romero, de A Noite dos Mortos-Vivos, com o roteiro de Stephen King. No mesmo ano, o filme foi adaptado para uma graphic novel contendo as mesmas histórias curtas de terror, intituladas como: Dias dos Pais, A Solitária Morte de Jordy Verrill, A Caixa, Indo Com a Maré e por fim, Vingança Barata.

Diferentemente do filme, aqui não teremos a introdução já conhecida, onde Joe Hill, filho de Stephen King, interpreta Billy, a criança dona da HQ chamada Creepshow. Desta vez, nós seremos donos do famoso quadrinho. Deste modo, iremos partir diretamente para as cinco histórias horripilantes. Mas antes de tudo, conheceremos Creep, a peculiar figura morta-viva que irá nos conduzir por estas páginas de puro medo. Creep aparece sempre no início de cada história e ao final, nos apresentando a história e os mistérios que a rondam, uma ferramenta narrativa que conversa diretamente com o leitor e responsável por aguçar a nossa curiosidade com vários palpites ao longo das páginas do quadrinho. Garanto que Creep será uma ótima companhia durante a leitura.

"Jordy Verrill era o famoso "faz de tudo um pouco, mas não faz nada direito"... porém, mesmo sendo um camarada simplório, até que o Jordy se virava... ele conseguia, ali, no limite, unir corpo e alma... até aquela fatídica noite de verão em que ele olhou pro céu, por puro acaso, no momento certo... ou, quem sabe, no errado..."

Resenha: Incrível, Fantástico, Inacreditável Stan Lee

Título Original: Amazing, Fantastic, Incredible: a Marvelous Memoir
Autores: Stan Lee, Peter David, Colleen Doran
Ano: 2016
Editora: Geektopia
Páginas: 196
Amazon - Saraiva

Stan Lee é uma lenda dos quadrinhos. Desde 1960, sozinho ou em parceria com outros quadrinistas, criou diversos super-heróis que posteriormente, virariam marcos na história do gênero. Na era onde a DC Comics imperava e dava nomes aos heróis mais icônicos da época, Stan Lee deu outra visão e novas personalidades para os seus personagens. Todo o sucesso que se estendeu desde então, fez com que a Marvel Comics deixasse de ser uma pequena editora para um dos maiores estúdios de entretenimento do mundo.

Provavelmente você já deve ter se deparado com algum dos personagens criados pelo gênio Stan Lee. Dentre eles estão, Homem-Aranha, Hulk, Os Vingadores, X-Men e vários outros nomes conhecidos da cultura geek. Em sua maioria, todos são personagens consagrados dentro dos quadrinhos e atualmente, veem ganhando suas próprias adaptações dentro do cinema e nas séries para TV também.

A trajetória de Stan Lee é contada por ele mesmo em parceria com outros dois ilustradores, Peter David e Colleen Doran. O quadrinho Incrível, Fantástico, Inacreditável Stan Lee, marca a estreia do selo Geektopia da Novo Século, sendo assim, o primeiro quadrinho lançado pela editora que resolveu apostar com tudo no formato. Nesta edição, com uma narrativa bem-humorada e bastante energética, Stan Lee guiará o leitor desde os primórdios da sua vida até a atualidade, quando a marca Marvel está mais do que consolidada.

"Deve haver uma lição de moral oculta nisso tudo. Se quiser, pode procurar por ela ao longo da edição."

Resenha: Wytches

Título Original: Wytches
Autor: Scott Snyder
Arte: Jock, Matt Hollingsworth e Clem Robins
Ano: 2017
Editora: Darkside
Páginas: 192
Amazon - Saraiva

Após o lançamento do seu primeiro mangá e da primeira graphic novel pelo selo Darkside Graphic Novel, a Darkside Books conta com Wytches para integrar o time como a primeira HQ da editora.

A primeira coisa que você precisa fazer antes de ler Wytches é esquecer completamente tudo que sabe sobre bruxas. Aqui elas são criaturas muito mais vis e de aparência ainda mais horripilante das que já conhecemos. Elas também não conhecem benevolência e poucos sobreviveram para confirmar a veracidade de sua existência. Talvez seja por este motivo que a definição de bruxa, existente logo na primeira página da HQ, esteja rasurada. Agora você vai conhecer como realmente é uma bruxa.

A Família Rook é nova em Lichfield. Eles tentam recomeçar do zero após um episódio bastante traumatizante na vida de Sailor Rook, filha do casal Rook. Só que eles não imaginam que a floresta que cerca sua nova cidade é moradia para algo realmente terrível, algo que está sempre à espreita, prestes a dar o bote na oportunidade certa. Há anos a cidade de Lichfield é cenário para histórias antigas, que envolvem o desconhecido. Algo capaz de proporcionar dadivas e destruição, mas para isso há sempre um preço a pagar. É enfrentando este perigo que Sailor e seu pai Charlie acabam descobrindo a verdade obscura que envolve sua família e no passado que os assombra.

"Jura é jura"

Resenha: Fragmentos do Horror

Título Original: 魔の断片
Autor: Junji Ito
Ano: 2017
Editora: Darkside
Páginas: 224
Amazon - Saraiva

Junji Ito é um conhecido artista de mangás japonês, especializado no gênero do terror. Após 8 anos, desde o lançamento de New Voices in the Dark, o artista volta para o mercado editorial com uma nova coletânea, Fragmentos do Horror. O mangá é o primeiro lançado pelo selo Darkside Graphic Novel e estas histórias não poderiam estar integrando uma casa melhor.

Está é minha primeira experiência com o autor, mas pelo que li, percebo que Junji Ito não tem reservas ao explorar o extraordinário. É perceptível que o artista desenha o que imagina, sem perder tempo para ponderar o que pode causar as pessoas ou agrada-las. As coisas não precisam fazer um sentido lógico e nem poderiam, afinal, o terror é criado através do desconhecido e com isso é possível criar as mais diversas histórias. É com isso que Ito trabalha, suas histórias causam conflito e desordem em nossas cabeças, são nauseantes, perturbadoras e extremamente bizarras, mas que cativam o leitor por serem bastante cruas e despertarem uma certa curiosidade mórbida.

A coletânea é composta por oito histórias, oito contos de terror igualmente inusitados e eficazes em impressionar o leitor. Dentre os que mais me impressionaram está o repugnante Pássaro Negro, onde um ser misterioso está disposto a alimentar o jovem protagonista com uma carne um tanto quanto duvidosa e Tomio - Gola Rulê Vermelha é um conto bastante agoniante, juntamente com Magami Nanakuse. Por fim, o que mais me agradou foi a A Mulher que Sussurra. Neste conto em especial o autor falará sobre relacionamento abusivo e a influência que uma pessoa consegue ter sob outra, mas claro, sem perder o tom estarrecedor que a premissa exige.

"...tinha um gosto horrível... a carne..."

Mulher Maravilha - Crítica

Wonder Woman

Lançamento: 01 de junho de 2017
Com: Gal Gadot, Chris Pine, Connie Nielsen, Robin Wright
Gênero: Ação, Aventura, Fantasia

Uma coisa sabemos bem sobre o universo DC, o estúdio não tem medo de errar. Após o sucesso que foi o Batman - O Cavalheiro das Trevas, a pressão para os próximos filmes foi grande, principalmente quando o estúdio coirmão estava anos luz a frente. A verdade que filme a filme isso vem mudando, vem-se criando uma identidade sólida para o gênero, e hoje vim falar sobre o filme que pode ser a melhor adaptação da companhia até agora. Após os medianos, Superman, Batman vs Superman: A Origem da Justiça e o fracasso que foi Esquadrão Suicida, Mulher Maravilha tinha sob suas costas a responsabilidade de levantar a moral do estúdio em um filme solo. E eu lhes afirmo que Mulher Maravilha não só consegue dar um novo tom para o novo universo da DC, mas como Gal Gadot consegue provar que é a mulher maravilha que esta personagem tão extraordinária precisava.

Aqui teremos mais um filme de origem, porém desta vez, muito bem contextualizado e na medida certa para o público, sem ser repetitivo, mas diferente do que já vimos. Voltaremos ao passado de Diana, onde ela e outras amazonas vivem em segredo na Ilha de Themyscira. Ainda criança, Diana passou a receber um treinamento pesado de Antiope, mesmo depois dos protestos da Rainha Hipólita que a afastava das atividades.

A jornada de Diana inicia com a chegada de Steve Trevor, um espião britânico, e junto com ele os nazistas que o perseguiam. Com a descoberta do mal que assola o mundo, Diana descobre seu proposito e vê a oportunidade de honrar a missão de todas as Amazonas, garantir a paz e a segurança dos humanos contra as mãos de Ares, o Deus da guerra. Assim ela parte com Steve para o coração da guerra, onde acredita que poderá trazer a paz para a terra novamente.


Resenha: Dois Irmãos

Título Original: Dois Irmãos
Autor: Milton Hatoum
Arte: Fábio Moon e Gabriel Bá
Ano: 2015
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 232
Compre: Saraiva - Amazon

Dois Irmãos é a adaptação em quadrinhos da obra homônima de Milton Hatoum. Dois Irmãos, foi lançado em 2000, ganhador do prêmio Jabuti de 2001 e recentemente originou a adaptação televisiva da Rede Globo, que recebeu Cauã Reymond como intérprete dos protagonistas.

No quadrinho, Fábio Moon e Gabriel Bá, também irmãos, ilustram a relação conturbada entre dois irmãos de uma família libanesa que reside em Manaus. Halim e Zana são pais dos pequenos Yaqub, o mais velho dos gêmeos e Omar. Na mesma casa vivem a irmã Rânia, Domingas, a índia que fora adotada de um orfanato para realizar os trabalhos domésticos e seu filho Nael, no qual entenderemos que será o narrador desta história.

Um acidente movido por ciúmes, quando os gêmeos ainda eram jovem e estavam descobrindo as belezas do amor, acabou marcando para sempre o destino de ambos. Yaqub teria enquanto vivesse a consequência da fúria do irmão marcado na pele e após isso, anos depois, a inveja, o orgulho, o rancor e o desejo de vingança seriam só algumas das coisas que moldariam a vida de Omar e Yaqub para sempre.

"-Meus filhos já fizeram as pazes? - Ninguém respondeu."

Resenha: O Gato Preto em Quadrinhos

Título Original: The Black Cat
Autor: Edgar Allan Poe
Arte: Diogo Henrique e  Hugo Matsubayashi
Ano: 2017
Editora: Martin Claret
Páginas: 72
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Há 200 anos, Edgar Allan Poe consagrava suas obras que envolviam, essencialmente, mistério e o terror tétrico. De maneira mais geral, suas obras ficaram conhecidas mundialmente como terror gótico do século XIX, além disso, o autor virou um dos primeiros autores americanos de contos, as ditas narrativas curtas. Muitas de suas histórias viraram exemplos literários e impressionam os leitores até hoje, pois nunca, algum autor chegou perto do seu imenso talento.

O Gato Preto, lançado originalmente em 1843 em uma revista semanal, é um dos, tantos conhecidos, contos do autor que envolverão situações macabras e misteriosas. A Martin Claret resolveu apostar pela primeira vez, no formato de quadrinhos e nada melhor do que começar ilustrando uma história que envolva os sentimentos sombrios da natureza humana. Através das ilustrações de Diogo Henrique e Hugo Matsubayashi abriremos a carta do narrador, ele que narra sua própria história, desde a infância conturbada até a vida adulta. O narrador conta que sempre prezou os animais e acabou se casando com uma mulher que os admirava tanto quanto seu marido.

"Há algo generoso e sem egoísmo no amor de um animal que vai diretamente ao coração de quem tem tido a ocasião de testar a amizade desprezível e a tênue fidelidade de um mero homem."

Resenha: Os Impostores: A Garota do Cemitério

Título Original: The Pretenders: The Cemetery Girl
Autores: Charlaine Harris, Christopher Golden e Don Kramer
Ano: 2017
Editora: Valentina
Páginas: 128
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A Garota do Cemitério é o primeiro volume da série Os Impostores, primeira HQ lançada pela editora Valentina. De autoria e coautoria de Charlaine Harris e Christhopher Golden a edição recebe ilustrações de Don Kramer.

Na história conheceremos esta garota, que na penumbra da noite é jogada em um cemitério desacordada e ferida. Sem saber sua real identidade e totalmente sem memória, a garota procura abrigo na escuridão do cemitério um lugar seguro para se esconder. Entre as lápides ela encontra também um nome para que possa ser chamada, a garota agora é Calexa Rose Dunhil.

Com medo de que seus algozes voltem para machuca-la ou até para terminarem o serviço, a menina não permite que ninguém se aproxime. Porém, de uma coisa ela não é capaz de se esconder. Após virar uma frequentadora assídua de velórios, Calexa desenvolveu o dom de ver os espíritos saindo de seus corpos. No dia que ela presencia um bizarro assassinato, a jovem será obrigada a fazer justiça ao espirito da vítima que a assombra diariamente, mas para isso, terá que sair da segurança do seu disfarce e arriscar sua vida. 

A sua perca de memória é o que embala o mistério de todo o quadrinho, Calexa se mostra uma personagem bastante interessante, ágil, astuta e inteligente. Seu único problema é não se lembrar de quem é e do porquê estar nesta situação. A frustração da personagem é muito bem transmita através das ilustrações de Kramer e os tons escuros contribuem com todo este clima melancólico e sombrio. Para obter pistas da sua real identidade, escondida em seu mausoléu, Calexa inicia uma pesquisa pelos jornais e revistas da cidade, para tentar encaixar as peças do quebra-cabeças que é sua vida.

Resenha: Persépolis

Título Original: Persepolis
Autora: Marjane Satrapi
Ano: 2016 - 17º reimpressão
Editora: Quadrinhos na Cia.
Páginas: 352
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Persépolis é um quadrinho autobiográfico de Marjane Satrapi que irá relatar momento da sua vida e também marcos históricos a partir dos seus 10 anos. Marjane nasceu em Rasht no Irã, bisneta de um imperador, ela nasceu em uma família politizada moderna, educada com os valores ocidentais e costumes persas. Em 79 iniciasse a revolução do regime xiita no Irã, e com a queda do xá, os terrores e opressão dos persas estavam só começando, a grande maioria da população se converteu para uma ditadura islâmica.

Parece complicado de se entender? Não se preocupe. No início do livro teremos um resumo histórico que serve como um contextualizador, nele teremos parte da história persa, explica as invasões que aconteceram e a guerra que se estendeu. Além disso, nos situaremos pelos impérios inimigos dos persas. Estas informações são importantes para ajudar o leitor a adentrar na história e entender a cultura que a autora nasceu.

Voltando ao livro, Marjane presenciou, de muito perto, o endurecimento da ditadura islâmica e em poucos dias se viu obrigada a usar véu na escola, mesmo não entendendo os motivos. Desde tão nova se vê obrigada a lidar com mudanças, e aos 14, com as proporções da guerra e o aumento da violência, ela é enviada pelos pais para a Áustria. Este foi só o início da luta de sua família contra uma guerra que se perpetua até hoje.

A narrativa dos quadrinhos é feita inteiramente em primeira pessoa, então nossa relação com Satrapi será como autora-personagem. De uma forma muito criativa, a autora equilibra seus dramas com alguns toques de humor, sem deixar de falar sobre a opressão que vivia e refletir sobre tudo com muita emoção e dor, sem dúvidas uma forma de narrativa única, e que não teria o mesmo resultado se fosse de outra maneira, a não ser pelos quadrinhos.

Resenha: Watchmen - Edição Definitiva

Título Original: Watchmen
História: Alan Moore
Arte/Cores: Dave Gibbons (Arte) e John Higgins (Cores)
Ano: 1986
Editora: Panini
Páginas: 460
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Por volta dos anos 1980 e 1984, Alan Moore que já não era um mero principiante no meio da criação de roteiros para histórias em quadrinhos, porém ainda era um nome desconhecido no meio (até aquele instante ele já havia escrito para a 2000 A.D. e para a Marvel UK), teve de assumir o mensal Monstro do Pântano. 

Naquele momento ele teve de aprender a escrever uma revista inteira sozinho, e seguiu com o Monstro do Pântano por 40 ou 45 edições. Conforme a sua fase com a HQ terminava, o sentimento de iniciar uma nova história totalmente do zero se estabelecia, quando uma oferta da DC surgiu, ele não pensou duas vezes antes de aceitar, dando o seu primeiro passo para criar o que hoje conhecemos por Watchmen.

Com algumas ideias na cabeça e com grande vontade de iniciar algo novo, Alan Moore convida Dave Gibbons para realizar a arte de toda a nova história em quadrinhos que aos poucos surgia. Os dois já haviam trabalhado juntos em algumas outras histórias, como na série Future Shocks e 2000 A.D. porém, através dessa nova parceria, Alan gostaria de ter a oportunidade de trabalhar com Dave em algo substancial, algo que possuísse uma continuidade. Ele não queria que sua história se interligasse a outras histórias ou tivesse personagens diversos, provenientes de outros mundos ou outras dimensões e universos (coisa que vemos bastante nas HQs). 

O que ele queria era um começo, um meio e um fim. Além disso, Alan que era fã de vários personagens da finada Charlton Comics, gostaria de utilizar alguns dos personagens da empresa para sua nova história, porém após alguns empecilhos e algumas mudanças de planos, ele decidiu criar personagens novos, aqueles que amamos ou odiamos em Watchmen. Esses personagens tão conhecidos hoje em dia foram inspirados em personagens famosos e icônicos da Charlton, como é possível observar nos extras da edição definitiva.

Resenha: The Umbrella Academy - Suíte do Apocalipse

Título Original: Apocalypse Suite
História: Gerard Way
Arte/Cores: Gabriel Bá | Dave Stewart
Ano: 2007
Editora: Devir
Páginas: 192
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Olá pessoal, tudo bem com vocês? Eu confesso que já fazia um tempo que essa HQ estava esperando por uma releitura, ali no armário onde eu guardo todos os meus livros, com o maior carinho, mas sem muito espaço. Como eu mencionei no último post, eu estou cheia de ideias e títulos que eu quero resenhar para vocês, e o Umbrella era um deles! E após reler esse exemplar eu venho aqui realizar uma resenha para vocês!

The Umbrella Academy – Suíte do Apocalipse é a coletânea dos seis primeiros títulos, divididos em capítulos na versão brasileira, da série de quadrinhos lançada em 2007. A história fora toda pensada e moldada pelo vocalista da falecida My Chemical Romance, Gerard Way, que para quem não sabe frequentou a Escola de Artes Visuais de Nova Iorque e foi palestrante convidado da Oxford Union. No time nós temos o brasileiro Gabriel Bá, que produziu as artes da HQ, foi ele que produziu todos os desenhos presentes no interior dos exemplares. Gabriel é irmão gêmeo de Fábio Moon, e os dois são os responsáveis pelas tirinhas presentes no 10 Pãezinhos. Além disso os irmãos já venceram o prêmio Eisner nos anos de 2008 e 2001.

“Foi no mesmo ano em que Tom “Brigador” Gurney nocauteou a Lula Alienígena de Rígel X-9... Aconteceu às 21h38... Veio de uma cotovelada voadora atômica.”

Toda a história começa quando 43 crianças extraordinárias nascem, em sua maioria de mães solteiras que não apresentavam qualquer sinal de gravidez. Muitas dessas crianças, após o nascimento, foram abandonadas pelas mães e outras entregues a adoção. É nesse contexto que surge O Monóculo, também conhecido como Sir Reginald Hargreeves. Monóculo era um cientista, empresário e milionário mundialmente famoso, que através de métodos misteriosos tentou rastrear e adotar o maior número possível destas 43 crianças. De todas estas 43, Monóculo encontra apenas 7, e uma vez encontradas, o cientista as leva para sua mansão, e nunca mais é visto. Ele descobre quais são as habilidades especiais de cada uma das crianças, e com o passar dos anos treina cada uma para que evoluam suas habilidades e estejam aptas a salvar o mundo quando fosse necessário.