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Le Chevalier nas Montanhas da Loucura | A. Z. Cordenonsi e Fred Rubim

Título Original: Le Chevalier nas Montanhas da Loucura
Autor: A. Z. Cordenonsi e Fred Rubim
Ano: 2018
Editora: Avec
Páginas: 64

Após conhecer a aventura steampunk criada por A. Z. Cordenonsi em Le Chevalier e a Exposição Universal, chegou a hora de conhecer mais um capítulo do espião sem nome e seu fiel escudeiro. Desta vez em quadrinhos, Le Chevalier irá enfrentar o Justiceiro da Paz.

Mas afinal, quem é Chevalier? Ele é um espião e principal agente do Bureau Central de Inteligência e Operações, protegendo o Império Francês contra seus inimigos. Tudo isso acontece enquanto a França lidera a Revolução Industrial em um mundo steampunk. Nesta HQ, nosso protagonista terá que superar suas diferenças com antigos inimigos em prol de algo maior. Recrutados pela mais famosa ladra do Comitê, Irene Adler, Chevalier irá embarcar na última tentativa de parar o Justiceiro da Paz, um chantagista que vem ameaçando as principais potencias mundiais para que todos eliminem seus poderes de guerra, caso isso não aconteça, ele mesmo fará isso com o poder do que ele chama de Raio da Morte, uma arma capaz de eliminar alvos a quilômetros de distância. 

Antes que o mundo entre em guerra, o grupo segue para o cenário gélido da Antártica em busca de pistas de onde pode estar localizado o esconderijo do inimigo, e para isso eles terão que seguir os passos de uma antiga expedição da Universidade Miskatônica no que são chamadas, as Montanhas da Loucura.

Garota-Ranho VOL. 1 | Bryan Lee O'malley

Título Original: Snotgirl Vol. 1: Green Hair Don't Care
Autores: Bryan Lee O'malley, Leslie Gung, Mickey Quinn
Tradução: Érico Assis
Ano: 2018
Editora: Quadrinhos na Cia.
Páginas: 136
Amazon

Green Hair Don't Care é o primeiro volume de uma série de Bryan Lee O’malley, criador de Scott Pilgrim, e da desenhista Leslie Hung. 

Aqui conheceremos Lottie Person, uma conhecidíssima blogueira de moda. Com a vida perfeita, pelo menos aparentemente, ela é linda, popular e bem-sucedida. Porém, a grande verdade é que Lottie possui uma grave alergia, seu nariz resolve escorrer sempre nos momentos mais inapropriados. Além disso, suas melhores amigas não parecem entendê-la, seu ex-namorado a trocou por uma garota sem graça e como se tudo isso não bastasse, a que tudo indica, Lottie parece ter cometido um homicídio. 

Apesar de todos seus problemas, Lottie consegue cativar o leitor, seja por suas características negativas, quanto as positivas. A personagem aparenta ser, às vezes, alguém odiável, mesquinha e arrogante, porém quanto mais a conhecemos, mais percebemos o quanto ela é solitária e mal compreendida. Que se afeta pelos conflitos e questões existenciais que surgem no início da vida adulta. Talvez essa primeira HQ mostre um pouco de Lottie tentando se encontrar, tentando achar seu lugar ao sol, mesmo com diversos tropeços pelo caminho. 

Toda as problemáticas do quadrinho se desenvolvem de uma forma bastante rápida e sempre há um grande acontecimento que dá um novo gás a história. Sendo assim, é uma trama bem instigante, divertida e regada a mistério, mesmo tendo como background a superficialidade.

January Jones: O Crânio de Mkwawa | Martin Lodewijk e Eric Heuvel

Título Original: January Jones Deel 2: De Schedel Van Sultan Mkwawa
Autores: Martin Lodewijk e Eric Heuvel
Tradução: Paulo Henrique Goés Tirre
Ano: 2018
Editora: AVEC
Páginas: 48
Amazon

January Jones chegou no Brasil através da Editora AVEC em 2016. Ela é uma heroína que possui muitas semelhanças com grandes mocinhos como Indiana Jones (o próprio nome diz) e figuras femininas mundialmente conhecidas como a espiã Mata Hari e a aviadora Amelia Earhart. O traço do quadrinho, criado originalmente no final de 1980 por Martin Lodewijk e Eric Heuvel, chamado Linha Clara, é um clássico, que é um estilo de desenho popularizado por Hergé, o criador de Tintim, e tem como característica exagerar no traçado e tornar os personagens mais caricatos. 

No segundo volume da série, O Crânio de Mkwawa, que marca o retorno da heroína para o Brasil, January e seu fiel escudeiro e mecânico Rik estão de volta a França e para pregar uma peça em sua amiga, Rik não demora muito para encontrar encrenca. Ele acaba comprando um misterioso crânio que havia sido do Sultão de Mkwawa, a peça fora tomada pelos alemães na Primeira Guerra. Porém não demora muito para que a relíquia vire um objeto bastante cobiçado por figuras muito suspeitas, quando se descobre que pode haver um importante mapa para um tesouro perdido dentro do crânio. Sendo assim, está dada a largada para mais uma aventura cheia de ação de January e, o melhor, que se passará dentro das Catacumbas de Paris.

Este foi meu primeiro contato com a aviadora January Jones. E que surpresa agradável que tive. Confesso que tive um pouco de dificuldades em me adaptar com o traço e texto extenso do quadrinho, mas depois de algumas páginas, já consegui aproveitar ao máximo da jornada da destemida Jones. Uma curiosidade é que como não li ainda o primeiro volume, sinto que perdi alguma coisa na relação de Jones e Rik, mas isso deve ser mero detalhe ao final de tudo. Estou errada?

Desafiadores do Destino: Disputa Por Controle | Felipe Castilho, Mauro Fodra e Mariane Gusmão

Título Original: Desafiadores do Destino: Disputa Por Controle
Autores: Felipe Castilho, Mauro Fodra e Mariane Gusmão
Ano: 2018
Editora: AVEC
Páginas: 64
Amazon

Neste primeiro volume de Desafiadores do Destino conheceremos As Ilhas Falkland, que estão sendo disputadas entre os reinos de Lemúria e Atlântida. Os gorgs, moradores originais do local, já estão quase extintos e por conta disso e desta sangrenta guerra territorial, a Organização dos Reinos Unidos, decide enviar uma equipe para pôr um fim, de uma vez por todas, neste conflito. 

A líder é Lune Lefevre, uma misteriosa guerreira que carrega dentro de si uma terrível maldição. Todos a bordo de Marine, a equipe é formada pela indestrutível Nay, pelo Doutor Loberstein, o gênio do grupo que utilizou o próprio cérebro em um experimento de autômatos, Lockwood, um ser meio-atlante e Redhawk, um guerreiro índio treinado nas artes de combate de todas as tribos das Américas. É deste improvável grupo, formado às pressas pela ORU, que poderá surgir a solução para esta terrível guerra ou então, o evento que desencadeara algo ainda muito maior. 

Deu pra perceber que esta é uma aventura steampunk, certo? Que mistura a magia de deuses antigos com engrenagens criadas para entreter o leitor e apresentar uma aventura cheia de mistérios e reviravoltas. A narrativa é apresentada entre idas e vindas, entre o passado e o presente, mostrando de que forma o grupo foi montado e quais as motivações de cada um para terem aceitado o trabalho. Nesta parte é incrível ver o destino desses personagens entrelaçados e a cada página sendo revelado.

Clara Carcosa | Juliana Fiorese

Título Original: Clara Carcosa
Autora: Juliana Fiorese
Ano: 2018
Editora: Independente
Páginas: 120

Clara Carcosa é a primeira HQ e história que a ilustradora Juliana Fiorese cria. Aqui acompanharemos uma história de terror, narrada em primeira pessoa por Clara, uma garota que se encontra perdida num lugar completamente desconhecido. Tudo que Clara vê neste lugar é escuridão, tudo que sente é solidão e tudo que ouve é silêncio.

Clara não consegue lembrar de nada que possa ajudá-la a sair desse lugar. Mesmo assim ela segue seu caminho e começa a enfrentar seus medos, percorrendo os caminhos que antes ela evitava. Por este trajeto, Clara vai tendo pequenos flashbacks, momentos que irão revelando a ela os segredos desse lugar. É assim que acompanhamos a jornada de Clara Carcosa em busca de respostas, de que lugar é este e quem ela é.

Apesar das ilustrações fofas assinadas por Juliana, esta é uma HQ de terror e indicada para maiores de 16 anos. Eu, como uma admiradora do gênero, fiquei bastante feliz em saber que a ilustradora não só não teve medo de trazer um tom mais sombrio para sua primeira HQ, como também explorou vertentes que realmente mexem com a cabeça do leitor, como a possibilidade de interpretarmos a história devido a narrativa, não muito confiável da personagem.

"Quando não temos noção de tempo e espaço, pare que a sanidade também nos falta."

Black Dog | Dave McKean

Título Original: Black Dog: The Dreams of Paul Nash
Autor: Dave McKean
Ano: 2018
Editora: Darkside Books
Páginas: 120

A Darkside Books mais uma vez encanta com uma edição maravilhosa do seu selo de Graphic Novel. Desta vez com Black Dog, um relato ilustrado e roteirizado por Dave McKean, a partir de pinturas do renomado artista britânico Paul Nash.

Paul Nash é conhecido como o pintor da guerra, com 25 anos, em 1914, foi convocado pelo exército britânico para batalhar na primeira guerra mundial e suas pinturas são completamente fundamentadas por suas experiências nas batalhas, com seu surrealismo retrata a solidão, as batalhas e as perdas que teve em sua vida durante os anos de guerrilha. 

Em Black Dog, Dave McKean põe em quadrinhos a vida deste pintor renomado, roteirizando sua vida em detalhes e usando algumas de suas obras como pano de fundo para isso, mantendo o estilo de desenho e inserindo neles outros elementos para deixar a história melhor representada.

A cada início de capítulo há a reprodução de uma pintura de Nash, em seguida a história escrita e ilustrada por McKean, exemplificando o momento pelo qual o pintor passava em sua vida. Com poucos diálogos e muita narrativa, o texto vai explicando aos poucos o momento no qual ele estava em sua vida, seja em meio a batalha na guerra, perdendo algum amigo em combate ou até mesmo com medo. No inicio do livro, Dave, inclusive, situa o leitor no ambiente pré-guerra na Inglaterra, mostrando como o avanço da guerra parecia desacreditada, mas que em seguida pegou força e acabou durando vários anos e fazendo vários jovens perderem suas vidas defendendo seu povo em uma ideia absurda partida de um louco que mudou completamente o mundo.

A Marcha | John Lewis, Nate Powell e Andrew Aydin

Título Original: March
Autores: John Lewis, Nate Powell e Andrew Aydin
Ano: 2018
Editora: Nemo
Páginas: 128
Amazon - Saraiva

John Lewis é um importante parlamentar dos Estados Unidos e figura importantíssima no movimento dos direitos civis. Nesta HQ, ilustrada e editada por Nate Powell e Andrew Aydin, Lewis narra sua trajetória de vida, que vai desde sua estadia numa pequena fazenda no Alabama à sua participação nas manifestações pelo fim da segregação racial, na sua entrada no Congresso até o dia que recebeu uma Medalha Presidencial pelas mãos de Barack Obama, o primeiro presidente negro da história do país.

Para contextualizar, é importante lembrar que na década de 60 ocorreram diversas marchas em prol dos direitos civis negros nos Estados Unidos. John Lewis, inicia sua narrativa no episódio que seria um marco para as conhecidas Marchas de Selma a Montgomery. Na Ponte de Edmund Pettus, seiscentos manifestantes protestavam pacificamente, quando foram atacados pela polícia local com cassetetes e gás lacrimogênio, esta marcha ficou mundialmente conhecida como Domingo Sangrento.

Aqui voltaremos num tempo onde a segregação racial estava em alta e que mesmo com leis que asseguraram a igualdade entre brancos e negros, na realidade era bem diferente. Os negros não tinham o direito de ir e vir, não podiam frequentar os mesmos locais que os brancos, tinham banheiros separados e não podiam votar. Notando todas as dificuldades que sua família vivia, desde pequeno, Lewis ainda muito cedo já pensava sobre o assunto e como tudo aquilo poderia ser, um dia, resolvido.

Justin | Gauthier

Título Original: Justin
Autora: Anne-Charlotte Gauthier
Ano: 2018
Editora: Nemo
Páginas: 104
Amazon - Saraiva

Como é ser um menino preso em um corpo de menina? É com esta pergunta que a quadrinista Gauthier inicia a história de Justin.

Tudo começa quando o professor de educação física da sua escola pede para que a turma forme dois grupos, um de meninos e um de meninas. É nesse momento que Justine não sabe para que lado ir. Desde sempre, ela sente que não pertence ao gênero que lhe foi atribuído e nesta HQ, acompanharemos todas as dificuldades que Justin, da infância ao início da vida adulta, enfrentará ao longo de sua vida. Aos olhos do personagem, iremos perceber como é ser incompreendido pelas pessoas mais próximas, por ele mesmo em diversos aspectos e também aos olhos do mundo. Aqui iremos acompanhar a jornada de um jovem transexual até enfim, aceitar quem ele sempre foi. 

Histórias que abordam a identidade de gênero hoje em dia são muito importantes. O debate precisa ser levantado cada vez mais, pois vivemos em tempos em que o preconceito e conservadorismo lutam para calar milhões de vozes que lutam pela causa. Além deste gigante fato, existe, ainda, muita confusão dentro do tema. Saber diferenciar transexualidade, homossexualidade, a arte de uma drag queen e no meio de tudo isso ter conhecimento do que é gênero e orientação sexual, são fatores que precisam ser debatidos e abordados. 

"Eu sou um garoto prisioneiro num corpo de mulher."

Resenha: Paciência

Título Original: Patience
Autor: Daniel Clowes
Ano: 2017
Editora: Nemo
Páginas: 184
Amazon - Saraiva

Paciência foi meu segundo contato com o premiado quadrinista Daniel Clowes e me vi positivamente surpresa com as distintas abordagens de temas do autor. Gostei muito do fato de Clowes trabalhar todo o turbilhão de emoções existentes na adolescência em Ghost World e em Paciência, apresentar ao leitor uma viagem cósmica através do espaço-tempo. Nesta HQ, o mais novo trabalho do autor, Clowes une amor, vingança, ficção cientifica e as questões existenciais que assombram qualquer indivíduo.

Conheceremos Jack Barlow, um homem que não medirá esforços para garantir a segurança de sua amada Paciência. O problema é que ela já morreu, fora assassinada, e agora Jack está obcecado em encontrar quem poderia ter cometido o crime e ter arrancado Paciência e seu futuro filho de seus braços. Com um poderoso método de voltar no tempo, Jack acaba retornando a sua vida passada, mas no trajeto, acaba não só descobrindo mais sobre si mesmo, mas também mais sobre os fantasmas que sempre assombraram sua esposa.

Assim como a capa refere, prepare-se para uma explosão de cores. Uma das características que acho importante mencionar do autor, é que o traço de Daniel Clowes é bem underground. É um tipo de traço e colorização que pouco encontramos nos dias de hoje e por isso é tão peculiar. Extremamente colorido e explorando muito as expressões e emoções dos personagens, aqui o artista dá ar mais psicodélico a obra, nos levando a viagem no tempo e a loucura também. 

"– Mas vou te dizer uma coisa, aquela garota não gostaria de te ver assim. Uma garota doce com essa gostaria de te ver seguindo a vida. – Ela não pôde seguir a vida dela."

Black Hole | Charles Burns

Título Original: Black Hole
Autor: Charles Burns
Ano: 2017
Editora: Darkside
Páginas: 363
Amazon - Saraiva

Lançado no segundo semestre de 2017 pela Darkside Books, Black Hole foi criado por Charles Burns, quadrinista de Seattle. A publicação da obra, resultou ao autor inúmeros prêmios e fora publicada como volume único apenas em 2005, demorou uma década para que Black Hole se transformasse no grande marco dos quadrinhos de horror.

O cenário é os anos 70, Seattle, EUA, e uma doença sem nome assombra a realidade dos jovens da cidade. Através do sexo, a doença é rapidamente transmitida, espalhando-se entre os adolescentes e os dividindo. Esta doença se manifesta de diferentes formas, para alguns é uma deformidade no corpo, outros uma anomalia na pele, o surgimento de um novo membro ou apenas manchas na pele. Não há padrão, porém, as consequências para aqueles que são mais lesados pela doença são brutais. Impedidos de conviverem entre a sociedade "normal", estes jovens com os aspectos mais monstruosos são obrigados a sobreviver em meio a mata que cerca a cidade. Ali eles encontram abrigo e segurança e aqueles que conseguem esconder suas marcas, acabam virando suas únicas fontes de informação com o mundo exterior.

Aqui acompanharemos três personagens, o primeiro é Keith, que deseja ser contaminado, Chris é uma garota que está prestes a ser e Rob já possui a doença. Pelas suas perspectivas iremos acompanhar o cotidiano desses jovens e seus hábitos, no recorte de uma época marcada por hormônios, aceitação e descobrimento. Neste ponto, percebemos que Black Hole se utiliza de elementos fantásticos para recontar um dos momentos culturais mais marcante e bastante especifico dos EUA, que, marcado pelo legado da era hippies, que conquistaram a liberdade sexual e a da utilização de drogas, começa a revelar suas consequências.

Resenha: Alena

Título Original: Alena
Autor: Kim W. Andersson
Ano: 2017
Editora: Avec Editora
Páginas: 120
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Alena é a primeira graphic novel europeia de horror a ser publicada no Brasil, pela Avec Editora. Sob a autoria do quadrinista sueco Kim W. Andersson, Alena foi a ganhadora de um dos maiores prêmios dos país, direcionado apenas para quadrinhos, a The Adamson Statue. Além disso, em 2015, a graphic novel foi adaptada para o cinema com o mesmo nome. 

Nesta história conheceremos Alena, bolsista numa escola elitista, ela é constantemente alvo de bullying e a principal causadora do seu sofrimento é Filippa, uma das mais populares e arrogantes garotas da escola. Alena parece não ser ouvida naquele lugar e sua melhor amiga, Josefin, a encoraja para que ela não aceite mais as provocações e que caso ela não tome alguma atitude, ela mesmo irá resolver todo o problema. Só há um porém, Josefin está morta há um ano.

Quando Kim W. Andersson veio ao Brasil, para a 63º Feira do Livro de Porto Alegre e também para uma sessão de autógrafos em São Paulo, tive o prazer de conhece-lo pessoalmente. Kim foi muito simpático com cada leitor e garantiu para cada um, o seu autógrafo que levava o rosto da sua protagonista banhada a sangue. Pelas poucas palavras que troquei com ele pude sentir o quanto Kim é apaixonado pelo que faz e o prazer que ele tem em se relacionar com as pessoas. Um reflexo avesso se comparado a personalidade de sua personagem.

Resenha: Creepshow

Título Original: Creepshow
Autores: Stephen King, Bernie Wrightson, Jack Kamen
Ano: 2017
Editora: Darkside
Páginas: 64
Amazon - Saraiva

Creepshow é originalmente um filme de 1982 dirigido por George A. Romero, de A Noite dos Mortos-Vivos, com o roteiro de Stephen King. No mesmo ano, o filme foi adaptado para uma graphic novel contendo as mesmas histórias curtas de terror, intituladas como: Dias dos Pais, A Solitária Morte de Jordy Verrill, A Caixa, Indo Com a Maré e por fim, Vingança Barata.

Diferentemente do filme, aqui não teremos a introdução já conhecida, onde Joe Hill, filho de Stephen King, interpreta Billy, a criança dona da HQ chamada Creepshow. Desta vez, nós seremos donos do famoso quadrinho. Deste modo, iremos partir diretamente para as cinco histórias horripilantes. Mas antes de tudo, conheceremos Creep, a peculiar figura morta-viva que irá nos conduzir por estas páginas de puro medo. Creep aparece sempre no início de cada história e ao final, nos apresentando a história e os mistérios que a rondam, uma ferramenta narrativa que conversa diretamente com o leitor e responsável por aguçar a nossa curiosidade com vários palpites ao longo das páginas do quadrinho. Garanto que Creep será uma ótima companhia durante a leitura.

"Jordy Verrill era o famoso "faz de tudo um pouco, mas não faz nada direito"... porém, mesmo sendo um camarada simplório, até que o Jordy se virava... ele conseguia, ali, no limite, unir corpo e alma... até aquela fatídica noite de verão em que ele olhou pro céu, por puro acaso, no momento certo... ou, quem sabe, no errado..."

Resenha: Como Falar com Garotas em Festas

Título original: How to Talk to Girls at Parties
Autor: Neil Gaiman
Arte: Fábio Moon e Gabriel Bá
Ano: 2017
Editora: Quadrinhos da Companhia
Páginas: 80

Inspirada em um conto de Neil Gaiman e maravilhosamente ilustrada pelos irmãos Fábio Moon e Gabriel Bá, Como Falar com Garotas em Festas transformou-se na melhor HQ que tive a chance de conhecer até o momento, ao longo desse ano de 2017.

Com o traço típico dos gêmeos, e uma coloração apaixonante, capaz de nos fazer viajar pelas 80 páginas dessa história encantadora e instigante, aquilo que poderia ser apenas uma história “confusa” como declararam alguns, ganha em movimento, metáforas e reflexões sobre o crescimento e – espero não estar divagando aqui – a própria feminilidade.

Apesar da leitura rápida e da pouca quantidade de páginas, além da premissa que, ao olhar desatento pode parecer simples, a obra destaca elementos que vão além do ato de conversar e estabelecer uma conexão com indivíduos do sexo feminino em festas. Aqui acompanharemos a trajetória, ao longo de um único dia, de Enn e seu amigo Vic, que foram convidados para uma festa onde diversas garotas, provenientes dos mais diversos cantos do mundo, irão apresentar aos dois amigos a maturidade que eles ainda estavam por descobrir e alcançar, além de um poético universo feminino, nunca antes explorado da forma como aqui seremos capazes de presenciar.

"Você não gostaria de deixar um universo bravo. Eu aposto que um universo bravo te encararia com olhos como aqueles."

Resenha: Incrível, Fantástico, Inacreditável Stan Lee

Título Original: Amazing, Fantastic, Incredible: a Marvelous Memoir
Autores: Stan Lee, Peter David, Colleen Doran
Ano: 2016
Editora: Geektopia
Páginas: 196
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Stan Lee é uma lenda dos quadrinhos. Desde 1960, sozinho ou em parceria com outros quadrinistas, criou diversos super-heróis que posteriormente, virariam marcos na história do gênero. Na era onde a DC Comics imperava e dava nomes aos heróis mais icônicos da época, Stan Lee deu outra visão e novas personalidades para os seus personagens. Todo o sucesso que se estendeu desde então, fez com que a Marvel Comics deixasse de ser uma pequena editora para um dos maiores estúdios de entretenimento do mundo.

Provavelmente você já deve ter se deparado com algum dos personagens criados pelo gênio Stan Lee. Dentre eles estão, Homem-Aranha, Hulk, Os Vingadores, X-Men e vários outros nomes conhecidos da cultura geek. Em sua maioria, todos são personagens consagrados dentro dos quadrinhos e atualmente, veem ganhando suas próprias adaptações dentro do cinema e nas séries para TV também.

A trajetória de Stan Lee é contada por ele mesmo em parceria com outros dois ilustradores, Peter David e Colleen Doran. O quadrinho Incrível, Fantástico, Inacreditável Stan Lee, marca a estreia do selo Geektopia da Novo Século, sendo assim, o primeiro quadrinho lançado pela editora que resolveu apostar com tudo no formato. Nesta edição, com uma narrativa bem-humorada e bastante energética, Stan Lee guiará o leitor desde os primórdios da sua vida até a atualidade, quando a marca Marvel está mais do que consolidada.

"Deve haver uma lição de moral oculta nisso tudo. Se quiser, pode procurar por ela ao longo da edição."

Resenha: Wytches

Título Original: Wytches
Autor: Scott Snyder
Arte: Jock, Matt Hollingsworth e Clem Robins
Ano: 2017
Editora: Darkside
Páginas: 192
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Após o lançamento do seu primeiro mangá e da primeira graphic novel pelo selo Darkside Graphic Novel, a Darkside Books conta com Wytches para integrar o time como a primeira HQ da editora.

A primeira coisa que você precisa fazer antes de ler Wytches é esquecer completamente tudo que sabe sobre bruxas. Aqui elas são criaturas muito mais vis e de aparência ainda mais horripilante das que já conhecemos. Elas também não conhecem benevolência e poucos sobreviveram para confirmar a veracidade de sua existência. Talvez seja por este motivo que a definição de bruxa, existente logo na primeira página da HQ, esteja rasurada. Agora você vai conhecer como realmente é uma bruxa.

A Família Rook é nova em Lichfield. Eles tentam recomeçar do zero após um episódio bastante traumatizante na vida de Sailor Rook, filha do casal Rook. Só que eles não imaginam que a floresta que cerca sua nova cidade é moradia para algo realmente terrível, algo que está sempre à espreita, prestes a dar o bote na oportunidade certa. Há anos a cidade de Lichfield é cenário para histórias antigas, que envolvem o desconhecido. Algo capaz de proporcionar dadivas e destruição, mas para isso há sempre um preço a pagar. É enfrentando este perigo que Sailor e seu pai Charlie acabam descobrindo a verdade obscura que envolve sua família e no passado que os assombra.

"Jura é jura"

Resenha: Meu Amigo Dahmer

Título Original: My Friend Dahmer
Autor: Derf Backderf
Ano: 2017
Editora: Darkside Graphic Novel
Páginas: 290
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É possível perceber que seu colega de classe poderá virar um serial killer no futuro? Meu Amigo Dahmer é a primeira graphic novel lançada pela Darkside e nela, o quadrinista John Backderf, sob o pseudônimo Derf Backderf, relata o período que estudou ao lado de Jeffrey Dahmer, quem anos depois acabou sendo descoberto como um dos seriais killers mais terríveis dos Estados Unidos.

Para construir esta história, o autor precisou de muito mais do que sua própria vivência com Dahmer, mas também consultou colegas de classe, arquivos do FBI e da mídia, professores e antigos diários mantidos por ele e por sua família. Além disso, entrevistas feitas com Dahmer após ter sido preso também foram utilizadas para ajudar na veracidade e cronologia dos fatos. Em um breve prefácio, o autor conta como foi receber a notícia que seu antigo colega de classe havia se tornado um serial killer, a ideia de criar o quadrinho e como uma história que a princípio deveria ter apenas 24 páginas acabou ganhando as proporções que tomou até conquistar um renomado prêmio do gênero em 2014.

Na sétima série do colégio Eastview, John Backderf conheceu Jeff Dahmer, um garoto solitário e completamente invisível. Sem amigos, Dahmer sofrera o que praticamente muitos adolescentes sofreram e sofrem até hoje devido a exclusão. Alvo de piadas e insultos, o fato de se isolar ainda mais era apenas uma questão de tempo. Filho de Lionel e Joyce Dahmer, Jeff não recebia a devida atenção em casa e crescera num ambiente hostil. A saúde debilitada da mãe e as discussões constantes em casa contribuíram para que ele se isolasse ainda mais eu seu mundo particular.

"Tive amizades normais no colégio [...] e não tive amizades muito próximas depois da escola." - Jeff Dahmer

Homem-Aranha: De volta ao Lar - Crítica

Spider Man - Homecoming

Lançamento: 6 de Julho de 2017
Com: Tom Holland, Robert Downey Jr, Michael Keaton
Gênero: Ação, Aventura

Com um Peter Parker novo e sem um Tio Ben, Homem-Aranha: De volta ao Lar conta mais uma versão da história já conhecida do super herói. Entretanto, agora o Homem-Aranha teve sua participação nos Vingadores e pretende provar para Tony Stark (Robert Downey Jr) que merece fazer parte definitivamente da equipe. 

Enquanto isso não acontece, Peter (Tom Holland) vai levando sua vida (quase) normal de adolescente, com provas na escola, a escolha de sua carreira e, claro, tentando conquistar a garota bonita mais do colégio. Além também de tentar desvendar um esquema de venda de armas alienígenas, como todo bom super herói!

Definitivamente o objetivo do diretor e dos produtores foi fazer um filme com menos explosões e lutas coreografadas a todo o momento e focar um pouco mais na personalidade divertida do adolescente Peter Parker e em suas questões pessoais. O foco está em como ele tenta conciliar sua vida com o Homem-Aranha e naquela determinação jovem em provar seu valor. É um personagem ao qual muito adolescentes vão se identificar, pois estão passando pelas mesma questões.


Resenha: Clube da Luta 2

Título Original: Fight Club 2
Autor: Chuck Palahniuk
Ano: 2016
Editora: LeYa
Páginas: 280

Em janeiro do ano de 2015 uma Izabel totalmente fascinada sentou em frente ao computador com apenas um propósito: escrever uma resenha digna de um dos melhores livros que havia lido em muito tempo. O livro, lançado pela primeira vez em 1996, se transformou em fenômeno cult, ganhou filme protagonizado por Brad Pitt, Edward Norton e Helena Bonham Carter e colocou Chuck Palahniuk no hall de autores preferidos dessa cabecinha confusa e perdida.

Mal sabia, enquanto escrevia aquelas palavras, que uma continuação começava a despontar no horizonte. Continuação essa que esperei ansiosa, li em apenas um dia e não trouxe qualquer sentimento à tona.

Clube da Luta (resenha), termina de forma genial, brutal, maravilhosa. Com um final aberto – confesso aqui meu fascínio por finais abertos – as possibilidades pairavam no ar como pequenas partículas de poeira, destacadas pela luz do sol que insiste em entrar por sua janela. O caminho escolhido por Chuck Palahniuk, porém, beira o inesperado, sendo ao mesmo tempo, totalmente previsível quando o leitor conhece um pouco da trajetória e mente do autor. Através do formato HQ, iremos revisitar personagens queridos e únicos, reencontrar algumas das melhores críticas que o autor já fez a nossa sociedade, nos preocupar com os rumos escolhidos, mas acima de tudo, perceber que Tyler Durden vive! E não, isso não é spoiler.

Mulher Maravilha - Crítica

Wonder Woman

Lançamento: 01 de junho de 2017
Com: Gal Gadot, Chris Pine, Connie Nielsen, Robin Wright
Gênero: Ação, Aventura, Fantasia

Uma coisa sabemos bem sobre o universo DC, o estúdio não tem medo de errar. Após o sucesso que foi o Batman - O Cavalheiro das Trevas, a pressão para os próximos filmes foi grande, principalmente quando o estúdio coirmão estava anos luz a frente. A verdade que filme a filme isso vem mudando, vem-se criando uma identidade sólida para o gênero, e hoje vim falar sobre o filme que pode ser a melhor adaptação da companhia até agora. Após os medianos, Superman, Batman vs Superman: A Origem da Justiça e o fracasso que foi Esquadrão Suicida, Mulher Maravilha tinha sob suas costas a responsabilidade de levantar a moral do estúdio em um filme solo. E eu lhes afirmo que Mulher Maravilha não só consegue dar um novo tom para o novo universo da DC, mas como Gal Gadot consegue provar que é a mulher maravilha que esta personagem tão extraordinária precisava.

Aqui teremos mais um filme de origem, porém desta vez, muito bem contextualizado e na medida certa para o público, sem ser repetitivo, mas diferente do que já vimos. Voltaremos ao passado de Diana, onde ela e outras amazonas vivem em segredo na Ilha de Themyscira. Ainda criança, Diana passou a receber um treinamento pesado de Antiope, mesmo depois dos protestos da Rainha Hipólita que a afastava das atividades.

A jornada de Diana inicia com a chegada de Steve Trevor, um espião britânico, e junto com ele os nazistas que o perseguiam. Com a descoberta do mal que assola o mundo, Diana descobre seu proposito e vê a oportunidade de honrar a missão de todas as Amazonas, garantir a paz e a segurança dos humanos contra as mãos de Ares, o Deus da guerra. Assim ela parte com Steve para o coração da guerra, onde acredita que poderá trazer a paz para a terra novamente.


A Piada Mortal - Crítica

The Killing Joke

Lançamento: 02 de agosto de 2016
Com: Mark Hamill, Kevin Conroy, Tara Strong
Gênero: Animação, Ação, Policial

Batman - A Piada Mortal é uma adaptação, baseada na HQ lançada em 1988 de Alan Moore e Brian Bolland, que conta a história do Coringa, o que realmente aconteceu no passado dele, ou o que ele acredita que aconteceu.

Como uma adaptação, o filme da Warner Bros se manteve muito fiel a HQ, não será surpresa para quem já leu os quadrinhos, não há alterações na história, o que é ótimo. Há, no entanto, uma espécie de “prólogo” para explicar em que nível estava a relação entre Batman e a Batgirl, Bárbara Gordon na época. 

A história do filme, roteirizado por Brian Azzarello, tratará do passado do Coringa, e da tentativa do mesmo de provar para todos um ponto que ele considera muito importante, o de que todos estão à beira do colapso, e o que basta para isso é “apenas um dia ruim”. Para isso, a história se desenrola rumo há dois momentos violentos que transformaram a HQ de A Piada Mortal em uma edição bastante polêmica para a época e na história da DC. Num desses momentos, ele escolhe uma vítima em particular, Jim Gordon, o comissário de Gotham City, e uma espécie de paladino da justiça da cidade onde habitam tantos vilões.